Grupo Vita leva ao Vaticano preocupações sobre falta de clareza nos processos de abuso

Grupo vai reunir-se este mês com a 'Tutela Minorum', organismo da Santa Sé dedicado à proteção de menores e adultos vulneráveis, para apresentar o trabalho desenvolvido em Portugal.

05 de junho de 2026 às 08:07
Rute Agulhas, Grupo Vita Foto: Direitos Reservados
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O Grupo Vita leva este mês ao Vaticano preocupações sobre processos de abuso sexual arquivados sem fundamentação clara, alertando para os impactos nas vítimas e sobreviventes pela falta de explicações, o que aprofunda sentimentos de injustiça.

O Grupo Vita vai reunir-se este mês com a 'Tutela Minorum', organismo da Santa Sé dedicado à proteção de menores e adultos vulneráveis, para apresentar o trabalho desenvolvido em Portugal, identificar dificuldades ainda existentes e transmitir preocupações relacionadas com processos de abuso sexual na Igreja Católica.

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A notícia foi avançada pelo jornal Sete Margens e confirmada à agência Lusa pela coordenadora do grupo Vita, criado pela Conferência Episcopal Portuguesa para acompanhar as situações de abuso sexual na Igreja Católica.

Rute Agulhas disse à Lusa que uma das principais preocupações a transmitir à Santa Sé prende-se com a forma como algumas decisões relativas a denúncias de abuso sexual são comunicadas às vítimas e sobreviventes.

"Uma das queixas recorrentes das vítimas e sobreviventes é o tempo de resposta e a forma, por vezes pouco transparente, como os processos decorrem. Ainda não existe uma verdadeira prestação de contas em todas as situações", afirmou.

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Segundo explicou, existem vários casos em que as pessoas denunciadas estavam vivas, os processos avançaram e, em algumas situações, chegaram mesmo a existir investigações canónicas, mas acabaram por ser arquivados em Roma.

"O problema é que muitas dessas decisões chegam sem fundamentação ou com fundamentações muito vagas. Depois é muito difícil explicar às vítimas porque é que o processo foi arquivado", referiu.

Para a psicóloga, esta falta de clareza gera sentimentos de "indignação" e "injustiça" entre vítimas e sobreviventes, além de dificultar o trabalho de acompanhamento realizado pelo Grupo Vita.

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Apesar disso, Rute Agulhas sublinhou não esperar uma reabertura dos processos já encerrados, mas pretende que a reunião permita sensibilizar os responsáveis da Santa Sé para o impacto que este tipo de decisões tem nas pessoas que denunciam abusos.

"Gostaríamos que refletissem sobre a forma como esta informação é transmitida aos países e sobre o impacto negativo que isso pode ter em quem denuncia", afirmou.

O encontro com a 'Tutela Minorum' está marcado para 18 de junho, em Roma, e decorrerá à margem da 'International Safeguarding Conference', conferência internacional dedicada à prevenção dos abusos sexuais e à proteção de menores, organizada anualmente pelo padre jesuíta Hans Zollner.

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A deslocação do Grupo Vita à capital italiana surgiu inicialmente da intenção de participar no congresso, depois de a equipa ter obtido financiamento externo para a viagem, sem encargos para a Conferência Episcopal Portuguesa.

Além da reunião, o Grupo Vita entregará um dossiê que sintetiza o trabalho desenvolvido em Portugal desde a sua criação, as principais dificuldades identificadas e propostas para reforçar a resposta da Igreja aos casos de abuso sexual.

Entre os desafios apontados estão ritmos diferentes de atuação entre estruturas eclesiais, dificuldades de articulação, demora na resposta a algumas situações e a ausência de procedimentos totalmente uniformizados a nível nacional.

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Ainda assim, Rute Agulhas considera que o balanço do trabalho realizado nos últimos três anos é positivo e destaca uma maior abertura das dioceses, congregações religiosas, escolas católicas e outras estruturas da Igreja para colaborar na prevenção e resposta aos abusos.

A responsável defendeu também um reforço do trabalho conjunto com as comissões diocesanas de proteção de menores, considerando que estas estruturas devem ter maior visibilidade e participação nos projetos desenvolvidos.

A reunião com a 'Tutela Minorum' surge numa altura em que o futuro do Grupo Vita ainda aguarda uma decisão definitiva da Conferência Episcopal Portuguesa quanto à renovação do seu mandato, embora a coordenadora admita existir expectativa de continuidade.

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O Grupo Vita participará ainda na 'International Safeguarding Conference', que decorre entre 16 e 19 de junho, onde apresentará, no último dia dos trabalhos, um póster científico sobre a experiência portuguesa na resposta aos abusos sexuais na Igreja Católica.

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