Há quem viva no meio do lixo por ser incapaz de deitar fora. Saiba mais sobre a realidade dos acumuladores

Psiquiatra Marcelo Feio identifica diversas patologias que podem levar uma pessoa a tornar-se acumuladora.

12 de junho de 2023 às 08:34
Imagem ilustrativa de uma divisão de um acumulador Foto: Getty Images
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Guardar, acumular e ser incapaz de deitar fora. Um ciclo que pode assumir contornos mais graves e condicionar por completo a vida de uma pessoa. A designação de acumulador é dada à pessoa que guarda objetos, independentemente das suas funcionalidades, por acreditar que estes voltarão a ter alguma utilidade mais tarde. 

De acordo com o National Health Service (Serviço Nacional de Saúde britânico), o ato de acumular constitui um quadro não linear, difícil de tratar e com uma taxa de reincidência elevada. Por vezes, o nível de acumulação é tão grave que o empilhamento de objetos e/ou lixo acaba por condicionar a normal circulação das pessoas nas suas habitações. Já houve, inclusive, casos de pessoas que morreram soterradas pelo próprio lixo.

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Acumulação resulta muitas vezes de negligência

Acumulação resulta muitas vezes de negligência

Em entrevista ao Correio da Manhã, o psiquiatra Marcelo Feio explicou que o "diagnóstico de acumulação não surge como uma doença, mas sim como um comportamento periférico de alguém que está perturbado".

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"Não existe uma razão lógica e estanque para se começar a acumular. Os contextos são variados e a causa depende sobretudo da doença de base com a qual o indivíduo parta", justifica o médico.

Nos casos mais severos de acumulação, muitas vezes, o que está em causa é "uma certa negligência e incapacidade de reverter a situação". As pessoas podem deixar de conseguir interagir no dia-a-dia, perder a noção de higiene e acabar por se isolar.

O que leva uma pessoa a tornar-se acumuladora?

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Segundo o médico Marcelo Feio, os idosos têm predisposição para se tornarem acumuladores, muitas vezes, por já não serem capazes de gerir e cuidar da própria higiene. É um comportamento progressivo e a questão da acumulação de lixo surge, muitas vezes, pelo abandono e indiferença da sua presença.

Acumuladores podem não aceitar ajuda 

Um caso que chocou o País

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Um caso que chocou o País

Nos últimos meses foram divulgadas situações graves sobre acumuladores. Em Portugal, em abril deste ano, um caso chocou o País. Conforme o CM noticiou, dois cadáveres, de pai e filha, foram encontrados numa habitação em Linda-a-Velha, no concelho de Oeiras. O estado de decomposição dos corpos indicava que a mulher tinha morrido há algumas semanas, enquanto o progenitor há pelo menos dez anos. Após algumas perícias, descobriu-se que a mulher era acumuladora e que tinha mantido o corpo do pai durante uma década naquela habitação. A casa estava repleta de lixo e era usada lixívia para tentar disfarçar o odor do cadáver.

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