Hospital ataca sarna com loção
Administração do Hospital de Vila Real encomendou loções.
Quando os primeiros casos de infeção com sarna (também conhecida por escabiose) nos profissionais de saúde começaram a ser detetados no Hospital de Vila Real, a administração decidiu encomendar as loções, eficazes no tratamento, a uma farmácia da cidade. Tudo porque a farmácia do hospital não estava em condições de preparar os cremes, de 200 gramas e compostos por 6% de enxofre e vaselina, em tempo útil.
O que custaria 7 euros/unidade passou a custar 70. Para já, e porque outros 57 profissionais – 44 enfermeiros e 20 assistentes operacionais – do serviço de Medicina Interna também estão a usar o creme, o hospital gastou 4480 euros no tratamento. "Subverteram a receita porque a mais eficaz, mas que não dá lucro à farmácia, seria enxofre e azeite. O azeite tem propriedades que a vaselina, que é neutra, não tem", explicou José Correia Azevedo, presidente do Sindicato dos Enfermeiros.
O contágio deu-se após o contacto com uma utente, nonagenária, oriunda de um lar de Sabrosa e que estava no serviço de Medicina, com outros 73 doentes. A 23 de janeiro, surgiu o primeiro profissional de saúde infetado. Dos vários que contactaram com a paciente, seis enfermeiras e uma assistente operacional foram contagiadas. Uma situação potenciada pois as fardas "são desprovidas de mangas", referiu o responsável sindical. Inicialmente, as sete profissionais começaram a ser tratadas com emoliente (hidratante) ATL e depois passaram à loção.
Atualmente, as indicações do hospital são de que todos os profissionais que tiverem sintomas devem recorrer ao serviço de Dermatologia. Mesmo quem não os tiver, segue para a Medicina do Trabalho por precaução.
A primeira baixa médica deve acabar para a semana. Por ser fim de semana, não foi possível obter um esclarecimento da direção do hospital.
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