Idosos impossibilitados de pedir socorro por falta de comunicações fixas em Leiria

Autarca adiantou que, ao nível da rede móvel, "de vez em quando" não há rede e "está fraca em várias zonas da freguesia".

25 de abril de 2026 às 11:13
Ambulâncias Foto: Direitos Reservados
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Dois autarcas do concelho de Leiria manifestaram à agência Lusa preocupação pela existência de idosos impossibilitados de pedir socorro em caso de necessidade devido ao atraso na reposição das comunicações fixas na sequência do mau tempo.

"O que me preocupa nesses casos é que algumas pessoas de idade que não têm telemóvel não conseguem contactar o 112 [número de emergência]", afirmou o presidente da Junta de Freguesia de Souto da Carpalhosa, Sandro Ferreira, referindo haver ainda muitos habitantes sem reposição do serviço de telefone fixo, praticamente três meses depois de a depressão Kristin ter afetado esta freguesia.

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Segundo Sandro Ferreira, esta "é uma situação que, nos dias de hoje, não devia acontecer".

O autarca adiantou que, ao nível da rede móvel, "de vez em quando" não há rede e "está fraca em várias zonas da freguesia".

"Temos algumas zonas com Internet, mas ainda temos várias zonas, várias casas e várias empresas sem Internet", salientou o presidente da Junta, esclarecendo que "é um misto" as queixas que recebe.

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Em maior número estão os apoios à reconstrução das casas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, "os seguros que não dão resposta" e as telecomunicações, especificou.

Sandro Ferreira explicou que a junta tem uma equipa que "vai visitar as pessoas", assumindo que a "grande preocupação" prende-se agora com a "parte psicológica" daquelas.

A presidente da União de Freguesias de Colmeias e Memória, Patrícia Marcelino, comungou das preocupações de Sandro Ferreira.

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"Não têm [possibilidade de ligar para o 112] de forma alguma. Se acontecer alguma situação, elas veem-se sozinhas (...). Com estas situações das pessoas idosas e sem alguém ao lado delas, sem terem uma forma de comunicar, pode acontecer o pior", alertou Patrícia Marcelino.

Explicando que a união de freguesias faz o trabalho de ir ao encontro das pessoas em situação mais vulnerável, a autarca reconheceu que não é um trabalho diário, para sublinhar que seria diferente haver uma forma de comunicar.

"Queremos o bem-estar de toda a população da freguesia e não havendo comunicações preocupa-nos, porque não conseguimos chegar a todo o lado", assumiu.

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Numa união de freguesias com uma "população bastante envelhecida" e um território "muito rural", a autarca esclareceu haver "casas que estão bastante distantes".

Sobre as comunicações na freguesia, Patrícia Marcelino resumiu que "estão deficientes" e "ainda estão muito longe de chegar à normalidade".

Na freguesia de Bidoeira de Cima, também no concelho de Leiria, as queixas sucedem-se.

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Um cidadão relatou que a mãe, de 89 anos, autónoma, esteve, desde 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu o território, sem telefone fixo e não tem televisão.

A família acabou por comprar um telemóvel para a idosa e cancelou o serviço fixo.

"A maior parte dos dias não tem rede [de telemóvel], umas vezes tem, outras vezes não", adiantou o familiar, ressalvando que a idosa, embora viva sozinha, tem apoio perto de casa.

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Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. 

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