Ilha do Faial passou a integrar rede de monitorização de infrassons dos Açores
Rede permite reforçar a deteção de fenómenos naturais e antropogénicos, assim como sinais associados a atividades humanas, como explosões nucleares ou de origem militar.
O Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) da Universidade dos Açores, instalou, no Faial, uma estação portátil de infrassons, com transmissão de dados em tempo real, reforçando a deteção de fenómenos naturais e antropogénicos.
Na sua página oficial na internet, o IVAR explica que este equipamento, cuja instalação ficou concluída a 22 de julho, "passa a integrar a rede de monitorização de infrassons dos Açores, com outras estações instaladas nas ilhas Graciosa, São Jorge e Terceira", que são utilizadas para "detetar e localizar eventos atmosféricos extremos, com origem natural ou antropogénica".
Entre os fenómenos que podem ser detetados, através desta tecnologia, estão erupções vulcânicas explosivas, sismos, meteoros, auroras, grandes tempestades e a interação do vento com o mar, explica o IVAR, na sua publicação.
A rede permite igualmente detetar sinais associados a atividades humanas, como explosões nucleares, explosões de origem militar, atividades das indústrias extrativas e químicas, lançamento de foguetes e tráfego aéreo, entre outros, acrescenta.
O equipamento irá transmitir dados em tempo real para as instalações do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos da Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
O IVAR explica que os infrassons "são ondas acústicas, com frequências abaixo do audível pelo homem (20 Hz), que permitem detetar, a grandes distâncias, perturbações de pressão na atmosfera".
A infraestrutura instalada na ilha do Faial foi desenhada, desenvolvida e montada por investigadores e técnicos do IVAR e do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), com equipamentos adquiridos ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O IVAR sublinha ainda que a importância desta tecnologia já foi demonstrada pela rede dos Açores, assinalando que, em janeiro de 2022, a estação de infrassons da ilha Graciosa "detetou a erupção do Vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha?apai, no Oceano Pacífico, a mais de 16 mil quilómetros de distância".
Por outro lado, "as estações da Graciosa e de São Jorge detetaram sinais sismo-acústicos associados a eventos sísmicos de baixa magnitude, que ocorreram durante a crise sismovulcânica na ilha de São Jorge", em 2022.
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