INEM e sindicato reúnem-se dia 26 para clarificar questões na base da greve
Reunião vai servir para "clarificar algumas das questões que têm sido levantadas pelo sindicato dos técnicos relativamente ao número de ambulâncias".
O INEM reúne-se dia 26 com o sindicato dos técnicos de emergência pré-hospitalar e com o Ministério da Saúde para "clarificar algumas questões" na base das greves agendadas para setembro, como a alegada redução de ambulâncias, matéria "sem fundamento".
Segundo adiantou à Lusa o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Cabral, a reunião de 26 de agosto, pelas 14:00, no Ministério da Saúde, vai servir para "clarificar algumas das questões que têm sido levantadas pelo sindicato dos técnicos relativamente ao número de ambulâncias" e também do dispositivo, para "explicar de uma forma muito pragmática, muito clara, com números, todas estas questões", assim como para perceber as razões para o agendamento dos dois dias de greve, a 14 e 28 de setembro.
"Achamos que seria de todo conveniente ter uma reunião para clarificar alguns destes assuntos, que criam alguma instabilidade, criam algum receio na população portuguesa, sem fundamento, porque como temos vindo sempre a dizer, não há qualquer tipo de redução de meios do dispositivo pré-hospitalar, antes pelo contrário, queremos fazer um reforço a esses dispositivo", disse.
Luís Cabral afirmou que não percebe a insistência do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) na questão da redução de ambulâncias, já anteriormente desmentida pelo INEM, afirmando que essa redução "não faria qualquer sentido", numa altura em que o país tem a população em crescimento, reduzir meios do INEM quando estes já são "deficitários em algumas áreas".
"Acho que seria um contrassenso enorme haver qualquer tipo de redução de meios. Aquilo que se está aqui a referir é a conversão de alguns meios, que até o momento funcionam em ambulâncias e que passam a funcionar em viaturas ligeiras para chegarem mais rapidamente às situações que nós achamos que são importantes e que são triadas como prioridade mais elevada", disse Luís Cabral.
O caso da assistência de emergência ao ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que teve uma indisposição durante as suas férias no Algarve, que foi apontado pelo sindicato dos técnicos como um exemplo da redução de meios que o novo modelo de funcionamento do INEM vai impor, é para Luís Cabral, precisamente um exemplo do contrário.
"Se os enfermeiros decidissem, em conjunto com o médico relativo do CODU, que não haveria necessidade de transporte acompanhado até o hospital, o enfermeiro ficaria novamente naquela área de influência disponível para prestar assistência a outras circunstâncias urgentes e emergentes que talvez tivessem a acontecer, e a vítima seria transportada até o hospital de Faro com a assistência da ambulância de suporte imediato de vida", disse Luís Cabral.
"Esse exemplo não só não é um bom exemplo de algum risco que possa acontecer, é um bom exemplo daquilo que poderá ser uma franca melhoria do funcionamento do sistema para hospitalar no continente", defendeu o presidente do INEM.
Luís Cabral rejeitou ainda apresentar qualquer pedido de demissão do cargo, tal como exigido pela Comissão de Trabalhadores em consequência da resolução aprovada na Assembleia-Geral (AG) da passada semana, pondo em causa a representatividade dessa resolução.
Frisando um universo de cerca de 1.500 trabalhadores do INEM, disse que na AG estavam 354 trabalhadores, dos quais 60 votaram a favor e 24 contra, tendo os restantes optado pela abstenção.
""Penso que estar a apresentar a minha admissão porque 60 dos trabalhadores do INEM consideram que eu me devo demitir no universo de 1.500, acho que é um pouco abusivo", disse, considerando que "é normal" que "um pequeno número" de trabalhadores se sinta afetado pelas alterações.
"Eu sempre disse que vinha fazer um processo de mudança, um processo de reformação, todos estes processos implicam decisões e quando nós decidimos há sempre alguém que fica satisfeito com as nossas decisões e uma pequena maioria que fica insatisfeita com essas decisões", acrescentou.
O STEPH convocou a 13 de agosto dois dias de greve para setembro, a 14 e 28, para exigir a suspensão da nova lei orgânica do INEM e da "decisão de retirar 100 ambulâncias" do seu dispositivo operacional", que a direção do instituto tem sucessivamente desmentido.
No mesmo dia a CT, em AG, aprovou uma resolução que exigia a demissão de Luís Cabral.
CT e STEPH têm criticado publicamente o modelo de reorganização do INEM em curso, nomeadamente a alegada perda de 100 ambulâncias pelo instituto.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt