INSA esclarece que primeiro caso de 'Candida auris" em Portugal foi detetado em 2022

Instituto Ricardo Jorge informa ainda que houve mais casos entre 2022 e 2025 em hospitais públicos das Regiões de Saúde Norte e Lisboa e Vale do Tejo.

15 de janeiro de 2026 às 19:07
A taxa bruta de mortalidade hospitalar por Cândida Auris é estimada entre 30% e 72% Foto: Direitos Reservados
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Na sequência de notícias veiculadas a dar conta da identificação, em 2023, dos primeiros casos de 'Candida auris' em Portugal (um fungo resistente a medicamentos considerado uma ameaça à saúde pública global), o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) esclareceu esta quinta-feira, em comunicado, que a primeira situação em Portugal foi identificada pelo Laboratório Nacional de Referência (LNR) de Infeções Parasitárias e Fúngicas do seu Departamento de Doenças Infeciosas, em 2022 - na terça-feira, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), tinha referido que tinha identificado os primeiros casos em 2023, num hospital da região Norte

O INSA esclarece ainda que este não foi o único caso detetado em Portugal, lembrando que "entre 2022 e 2025, o LNR confirmou anualmente casos de infeção por C. auris em amostras clínicas provenientes de diversos hospitais públicos das Regiões de Saúde Norte e Lisboa e Vale do Tejo".

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Embora a 'Candida auris' não faça parte do conjunto de microrganismos de declaração obrigatória, "o LNR do INSA reporta os casos que identifica ao Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistência a Antimicrobianos (PPCIRA) da Direção-Geral da Saúde e, através deste, às instituições Europeias, nomeadamente ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC)".

A 'Candida auris' é uma levedura que pode colonizar a pele e causar infeções invasivas em doentes com fatores de risco, como doenças graves, tratamentos invasivos e uso de antibióticos e imunossupressores. Considerada uma ameaça à saúde pública global, está disseminada em vários continentes, atingindo cerca de 60 países.

O microrganismo não é transmitido pelo ar, mas sim por contacto entre doentes, entre profissionais de saúde, ou com superfícies e equipamentos contaminados.

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Esta espécie distingue-se pela resistência a múltiplos fármacos antifúngicos e pela capacidade de persistir em superfícies e equipamentos, o que pode facilitar a transmissão em unidades de cuidados de saúde.

Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação nos hospitais deste fungo resistente a medicamentos e pediu medidas para travar a sua disseminação.

Em comunicado, o ECDC indicou que, entre 2013 e 2023, foram registados mais de 4.000 casos nos países da UE/EEE (inclui a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega), destacando "um salto significativo" em 2023, ano em que foram divulgados 1.346 casos em 18 países.

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A taxa bruta de mortalidade hospitalar por C. auris é estimada entre 30% e 72%, mesmo em pacientes que recebem tratamento antifúngico. As taxas mais elevadas estão associadas a pacientes internados nas UCI.

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