Inspeção-Geral de Finanças realiza auditoria de seguimento ao INEM

Foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

19 de março de 2026 às 19:03
INEM Foto: Margarida Frade
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O inspetor-geral da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) adiantou esta quinta-feira que está prevista "uma auditoria de seguimento" ao INEM, que deverá estar concluída em 2027, no âmbito das recomendações emitidas após a fiscalização ao quadriénio 2021/2024.

"Já está prevista uma auditoria de seguimento, que se deverá concretizar em 2027", disse António Ferreira dos Santos no parlamento.

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António Ferreira dos Santos falava na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

O responsável adiantou que a auditoria concluída no ano passado incidiu sobre "factos, procedimentos e mecanismos de controlo interno", avaliando áreas como desempenho operacional, subvenções públicas no Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), conformidade legal na contratação pública e recursos humanos, e ainda a robustez dos sistemas de informação do INEM.

O inspetor-geral sublinhou que o trabalho da IGF não se pronuncia sobre modelos alternativos de organização ou reestruturação do instituto, mas que as conclusões e recomendações podem servir de contributo técnico para a reflexão política em curso.

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Entre as recomendações dirigidas ao INEM estão o reforço da estabilidade do financiamento, a melhoria da eficiência organizacional, o aperfeiçoamento do dispositivo de emergência médica e o desenvolvimento de sistemas de informação interoperáveis com o setor da saúde.

"As recomendações foram formuladas de forma proporcional, exequível e orientada para a melhoria contínua da gestão, tendo os prazos de implementação sido objeto a aceitação pelo Conselho Diretivo em todas as funções", afirmou.

Foram igualmente apresentadas propostas ao decisor político, incluindo a criação de um regime legal de subvenções no âmbito do SIEM, soluções para os constrangimentos do transporte secundário, clarificação do regime de trabalho suplementar no INEM e a definição de um regime especial para a formação em emergência médica.

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O processo de acompanhamento das recomendações está em curso, tendo o INEM já apresentado um primeiro ponto de situação preliminar, adiantou.

No entanto, o inspetor-geral alertou que ainda não é possível avaliar o grau de implementação, uma vez que muitos prazos ainda decorrem.

"O acompanhamento prosseguirá até a aplicação de informação final e suficientemente sustentada, momento em que será efetuada a respetiva apreciação e, se necessário, desencadeadas as diligências subsequentes", acrescentou.

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Em agosto de 2025, o Ministério da Saúde considerou que o relatório da IGF sobre o INEM aponta falhas ao instituto em prejuízo do Estado e reforça o que o Governo tem dito e a necessidade de refundar o instituto.

O relatório, divulgado pelo jornal Público, refere que o INEM falhou na fiscalização de horas de voo dos helicópteros e que o Estado arrisca pagar mais.

A auditoria, que abrangeu o período da presidência de Luís Meira, que se demitiu em julho de 2024 na sequência do anterior ajuste direto feito para o serviço de helitransporte, concluiu pela falta de "mecanismos instituídos de controlo e registo automático, ou outro, das horas efetivamente voadas por cada meio aéreo".

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Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

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