Inspetores da PJ avisam que novo diretor conhece a casa e não tem"benefício da dúvida"
Carlos Cabreiro foi esta terça-feira nomeado diretor nacional da força policial.
A Associação Sindical dos Funcionários de Investigação da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ) defendeu esta terça-feira que o novo diretor nacional conhece as necessidades da instituição, avisando que não usufruirá do "benefício da dúvida" que alguém de fora teria.
Carlos Cabreiro, funcionário da PJ desde 1991 e diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), foi esta terça-feira nomeado diretor nacional da força policial, anunciou em comunicado o gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Para o presidente da ASFIC/PJ, trata-se de uma escolha de continuidade e que facilitará o trabalho da associação, uma vez que se trata de alguém que sabe quais são "as necessidades da PJ, as dificuldades e as próprias soluções".
"Se fosse alguém de fora, ter-se-ia o benefício da dúvida. Agora não há", salientou esta terça-feira, em declarações à Lusa, Nuno Domingos, congratulando-se por "existir finalmente uma nomeação", quase um mês e meio depois de o anterior diretor nacional, Luís Neves, ter tomado posse como ministro da Administração Interna.
Entre os dossiês que a ASFIC/PJ espera ver rapidamente resolvidos, está a aprovação de três regulamentos profissionais previstos no Estatuto Profissional do Pessoal da PJ, em falta "há cinco anos e meio": o de colocações, o de formação e de formadores e o relativo a questões disciplinares.
"A ASFIC já entregou há vários anos várias propostas, chave na mão quase, e esperamos ser chamados para discutir as nossas propostas [...] e que rapidamente sejam aprovados estes três regulamentos e os outros 11 que faltam", disse o dirigente sindical, sem adiantar o prazo desejável para que tal aconteça.
O presidente da associação sindical apontou ainda como "o grande desafio" que Carlos Cabreiro vai enfrentar a digitalização do fluxo de trabalho entre a instituição, o Ministério Público e os tribunais, de modo "a acelerar-se, de, alguma forma, a tramitação processual".
"Esta questão é essencial para o futuro da Polícia Judiciária e da investigação criminal", salientou Nuno Domingos.
Carlos Cabreiro, de 59 anos, coordenador de investigação criminal, é natural de Miranda do Douro, licenciado em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa e pós-graduado em guerra de informação pela Academia Militar, segundo a nota divulgada pelo Governo.
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