Instituto de Apoio ao Jogador defende limites à publicidade ao jogo
De acordo com o diretor do IAJ, na altura, o jogador 'online' tinha "30 anos, com estudos, relações conjugais e dívidas não muito grandes", enquanto o jogador 'offline' rondava os 40 anos.
O diretor do Instituto de Apoio ao Jogador (IAJ) defendeu esta quarta-feira que a publicidade ao jogo deve ser regulada, mas nunca proibida, alertando que a maior ameaça vem das redes sociais e dos 'influencers'.
"Estou plenamente de acordo, ou totalmente de acordo, quanto à regulação e à limitação, mas sempre evitar a proibição. (...) O que me preocupa mais que tudo é a publicidade nas redes sociais, no jogo 'online', pelos ditos 'influencers', 'youtubers', em que tudo o que é ética e regulação vai para lá do que é possível dizer", disse Pedro Hubert, numa audição na comissão parlamentar de Economia e Coesão Territorial.
Pedro Hubert afirmou que a evolução do jogo 'online' tornou o fenómeno "mais preocupante" e mais difícil de controlar, lembrando que há cerca de uma década já se estudava a "caracterização e comparação do jogador patológico 'online' versus 'offline'".
De acordo com o diretor do IAJ, na altura, o jogador 'online' tinha "30 anos, com estudos, relações conjugais e dívidas não muito grandes", enquanto o jogador 'offline' rondava os 40 anos.
"Passados 10 anos, é sobretudo o jogo 'online' que é mais preocupante em termos da quantidade de pessoas que jogam", referiu, na audição requerida pelo Livre, no âmbito da discussão dos projetos de lei que visam restringir a publicidade a jogos e apostas, proibir patrocínios do setor e impor advertências sobre o potencial aditivo.
Sublinhando que as apostas desportivas têm crescido de forma clara, Pedro Hubert descreveu um cenário em que as pessoas misturam as duas modalidades, considerando o 'online' estruturalmente mais perigoso.
"O jogo 'online' é mais atrativo. Tem mais potencial de dano em tudo, na acessibilidade, na diversidade, 24 horas por dia, sete dias por semana, as próprias transações são cada vez mais seguras. É mais atrativo em tudo e, portanto, tem mais potencial de adição", salientou.
O diretor do IAJ considerou ainda que a prevenção pode ter impacto se for visível.
"Se a indústria do jogo tiver nos anúncios o que é o jogo responsável, as linhas de apoio, o jogar moderadamente, também pode ser interessante", salientou, alertando, no entanto que a prevalência do jogo problemático pode estar subestimada, defendendo mais investigação, reforço dos meios públicos e uma resposta legislativa que acompanhe o impacto do 'online' e dos videojogos.
"Podemos dizer que 2% da população portuguesa sofre de problemas relacionados com o jogo", disse, indicando que cada caso afeta "entre cinco e dez pessoas à sua volta".
Pela experiência clínica, Pedro Hubert alertou que a idade média de quem procura ajuda "já não é 30 anos, mas sim 20, 22, 23", sinal de que o problema está a afetar faixas etárias mais jovens.
Segundo o responsável, a dependência resulta da combinação entre fatores individuais, situacionais e estruturais, defendendo fiscalização dos 'sites' ilegais e campanhas de informação que alertem para riscos sem recorrer ao alarmismo.
Pedro Hubert reiterou que a prioridade deve ser informar e que devem ser feitas campanhas em "juntas de freguesia, câmaras, clubes de futebol, escolas, faculdades, famílias".
Todavia, recordou que "a maior parte das pessoas que jogam e que apostam não têm problemas", mas que há perfis mais vulneráveis "impulsividade, competitividade, desafio, personalidade, tendência para a ansiedade".
A informação, concluiu, deve chegar "aos mais novos, aos atletas, aos seniores e às pessoas com comorbilidades", grupos mais expostos ao risco.
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