Investigadores vão estudar causas de alterações neurológicas e oculares dos astronautas

Investigação vai ser feita a partir da simulação computacional da microgravidade.

05 de fevereiro de 2026 às 08:14
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Investigadores do INEGI -- Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial, no Porto, vão estudar o impacto dos voos espaciais de longa duração nas alterações neurológicas e oculares dos astronautas, foi esta quinta-feira divulgado.

A investigação vai ser feita a partir da simulação computacional da microgravidade para perceber as alterações neurológicas e oculares que ocorrem após voos de longa duração, com base em dados existentes de astronautas fornecidos pelo Instituto de Fisiologia e Medicina Espacial, em França, explicou à Lusa fonte oficial do INEGI.

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O trabalho vai estudar as causas que originam a Síndrome Neuro Ocular Associada a Voos Espaciais (SANS na sigla em inglês) Spaceflight Associated Neuro-Ocular Syndrome, que se manifesta "através de alterações neurológicas e oculares, podendo impactar significativamente a acuidade visual dos astronautas", explica o instituto em comunicado.

"Há estudos recentes que mostram que a incidência desta doença aumenta com a duração das missões, chegando a afetar até 70% dos astronautas que têm permanência prolongada no espaço. Apesar das várias investigações, as causas e as consequências desta síndrome ainda não são totalmente conhecidas", explica Nilza Ramião, coordenadora da área de biomecânica no INEGI.

Neste projeto, designado U-SANS, o INEGI vai, "através de simulação computacional, explorar a relação entre as propriedades biomecânicas dos tecidos oculares e cerebrais e a exposição prolongada à microgravidade".

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De acordo com o INEGI, o trabalho vai permitir "caracterizar as propriedades mecânicas dos tecidos do cérebro e do olho em condições simuladas de microgravidade", por exemplo.

Por outro lado, vai possibilitar "determinar as frequências naturais de vibração e as respetivas formas modais destes tecidos", bem como "correlacionar estas alterações mecânicas com o desenvolvimento da SANS, apoiando novas estratégias de prevenção e mitigação".

Para o INEGI, isto vai contribuir "para o aumento da segurança das tripulações em missões espaciais de longa duração e para gerar conhecimento com impacto na medicina terrestre".

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"Ao analisar a forma como os tecidos biológicos se comportam dinamicamente no espaço, onde a pressão intracraniana se mantém elevada devido à ausência de gravidade, queremos determinar as causas desta síndrome e identificar potenciais contramedidas para proteger a saúde dos astronautas", esclarece Nilza Ramião.

O projeto U-SANS conta com a colaboração da Faculdade de medicina da Universidade de Lisboa, da Unidade Local de Saúde de São João e do Instituto de Fisiologia e Medicina Espacial, em França.

O programa vai ser financiado com 50 mil euros pelo PROSSE --- PROdex for Science in Space Exploration, um programa da Agência Espacial Portuguesa criado no âmbito da participação de Portugal no programa PRODEX da Agência Espacial Europeia (ESA).

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