“Irei lutar até ao fim para que haja justiça”

Vítima do surto de legionella admite não ter ficado surpreendida com relatório da PJ.

28 de setembro de 2016 às 01:45
Cristina Monteiro. legionella Foto: Tiago Sousa Dias
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Cristina Monteiro, vítima do surto de legionela de Vila Franca de Xira, que entre novembro e dezembro de 2014 provocou 14 mortos entre 403 hospitalizados, admite não ter ficado surpreendida com o relatório da Polícia Judiciária que aponta falhas legislativas possíveis de comprometer uma acusação com base no crime de poluição com perigo comum.

"Não é nada que não estivesse à espera. Em Portugal as coisas acontecem assim", referiu Cristina Monteiro, que esteve hospitalizada quatro dias.

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Recuperada e sem sequelas da doença, avançou com uma queixa-crime contra desconhecidos. "Irei lutar até ao fim para que se faça justiça", disse, acrescentando: "Sei que não é fácil. São grandes empresas e há fortes interesses envolvidos, mas não desisto. Em breve terão passados dois anos. Podem até ser dez, mas não desisto dos meus direitos", afirmou Cristina Monteiro, numa posição partilhada por Natália Rocha, viúva de António Amador.

Mais pessimista, Alexandra Gouveia também sobrevivente da legionela, não acredita que venham a ser conhecidos culpados.

No desenrolar do processo, o relatório da PJ admite que "a monitorização das concentrações de legionela não se encontra contemplada na legislação".

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O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, disse ontem, no Parlamento, que o Governo está disponível para "rever a lei".

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