José Carlos Martins: "Greve com resultados"
Presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses sobre a greve de dois dias.
Correio da Manhã – Como avalia a adesão dos enfermeiros ao primeiro dia de greve [ontem]?
José Carlos Martins – Em primeiro lugar, há que referir que a vontade de fazer greve é superior à adesão. Contudo, devido a razões económicas, e porque pesa no orçamento familiar, alguns enfermeiros não podem aderir à greve. Este primeiro dia já teve resultados, nomeadamente o facto de o Ministério da Saúde já ter marcado uma reunião para sexta-feira.
– Quais são as expectativas para essa reunião?
– Esperamos que seja apresentado um calendário negocial. Uma só reunião não chega.
– Esperam que o Ministério da Saúde ceda em algum ponto?
– Não sei. O aumento de 35 para 40 horas semanais revolta todos os profissionais. O Ministério da Saúde não valoriza, nem diferencia os enfermeiros que adquirem, por exemplo, a especialização. Além disso, há a questão dos contratos individuais a 3,40 euros à hora.
– As atuais condições de trabalho levam mais enfermeiros a sair do País?
– Sem dúvida. Muitos enfermeiros estão no desemprego. Em 2012, a Ordem dos Enfermeiros emitiu 3500 documentos necessários para se trabalhar no exterior (mais informação na página 17).
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