Junta de Porto de Mós entrega rádios à população após passagem do mau tempo
Concretizou-se agora, depois de a depressão Kristin ter privado muitas pessoas de energia elétrica e comunicações.
A Junta de Freguesia de Porto de Mós comprou 1.500 rádios para distribuir à população e já entregou até esta sexta-feira 550 aparelhos, revelou à agência Lusa o seu presidente.
Segundo Manuel Barroso, eleito para o terceiro e último mandato nas autárquicas de 2025, a ideia surgiu com o apagão, em abril do ano passado.
Concretizou-se agora, depois de a depressão Kristin ter privado muitas pessoas de energia elétrica e comunicações, sendo que havia quem tivesse acesso à rádio e a informação nos carros e mesmo em casa com aparelhos a pilhas.
"Em casa não tínhamos televisão, não tínhamos telefones, não tínhamos nada e não tínhamos forma nenhuma até para passar o tempo", declarou o autarca, que concluiu pela necessidade de "arranjar rádios para esta gente toda".
O presidente da Junta adiantou que aquela freguesia do distrito de Leiria tem cerca de seis mil habitantes.
No dia 13, Dia Mundial da Rádio, a autarquia anunciou que iria distribuir rádios, iniciativa que arrancou na segunda-feira.
Na junta, as pessoas recebem o rádio, com quatro pilhas.
"Duas já vão dentro. Nós experimentamos o rádio e entregamos o rádio", esclareceu.
Manuel Barroso realçou que o contentamento é generalizado.
"Notamos que o 'feedback' é agradável, as pessoas ficam contentes, não pelo valor, mas pela forma, porque os rádios até são engraçados, são pequeninos, mas são muito engraçados", considerou.
Para já, a Junta comprou 1.500 rádios, num custo para a autarquia de cerca de seis mil euros.
"Ficaram à volta de 4,5 euros cada um", disse, referindo que havia preços bem superiores no mercado, mas a escolha recaiu num vendedor que fez "um preço promocional", atendendo também a este "acontecimento, esta desgraça que caiu aqui", numa alusão ao impacto da depressão Kristin na freguesia.
"Eles [empresa vendedora] tiveram o bom senso de nos ajudar também", salientou.
Nesta primeira fase, a autarquia optou por entregar um rádio a cada família recenseada na freguesia, sendo que numa próxima reunião do executivo vai ser abordada a possibilidade de estender a iniciativa a toda a população.
"Se o nosso orçamento permitir, todas as famílias terão um rádio oferecido pela Junta", garantiu.
Numa mensagem colocada nas redes sociais, a Junta explicou que "a rádio constituiu, nos dias em que todas as comunicações estiveram inativas devido aos efeitos da tempestade, o único elo de comunicação e ligação a informações vitais".
"Consciente deste facto, e assinalando o Dia Mundial da Rádio, a Junta de Freguesia de Porto de Mós adquiriu rádios para distribuir pelos agregados familiares dos fregueses de Porto de Mós".
Nesse sentido, desde segunda-feira que "cada agregado familiar poderá levantar na sede da Junta de Freguesia o seu rádio e as respetivas pilhas, mediante apresentação de comprovativo de residência".
"Nos casos em que os fregueses não tenham meio de se deslocar à sede da Junta", pede-se que contactem telefonicamente para a entrega do rádio ser no respetivo domicílio.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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