Lajes do Pico prevê candidatar bote baleeiro a património da UNESCO em fevereiro de 2027

Candidatura visa reconhecer e salvaguardar os conhecimentos e técnicas associadas ao manuseamento e à construção do bote baleeiro açoriano nas Lajes do Pico, uma marca cultural dos Açores.

15 de julho de 2026 às 09:11
UNESCO Foto: EPA/CHRISTOPHE PETIT TESSON
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A Câmara das Lajes do Pico pretende candidatar o bote baleeiro a património da UNESCO em fevereiro de 2027, após o reconhecimento da atividade baleeira como Património Imaterial Português, que entrou este mês em consulta pública.

O Património Cultural deu início ao processo de consulta pública para a inscrição da manifestação "Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico" no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial e a autarquia contratou uma empresa que está já a trabalhar para, após a inscrição no património imaterial português, entregar a candidatura ao património mundial da UNESCO em fevereiro de 2027, disse esta quarta-feira à agência Lusa a presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, Ana Brum (PS).

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"Foi este todo o trajeto que percorremos e estamos a percorrer até conseguirmos chegar àquilo que tem sido muito falado ao longo dos anos, de se poder classificar o bote açoriano, com a importância que tem para a UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura]", disse.

Segundo a autarca, esta importância é vital porque na ilha do Pico "apenas existem dois construtores navais, sendo que um deles, o senhor João Tavares, já é um octogenário, ou está lá perto" e resta apenas um construtor naval no concelho das Lajes e na ilha, "que é o senhor Monteiro".

"Portanto, há aqui um plano de salvaguarda que tem de ser feito para que estes conhecimentos não sejam perdidos e, por isso, há toda esta importância de ele [o bote baleeiro] estar devidamente classificado", disse.

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Na opinião de Ana Brum, pelo trabalho que tem sido desenvolvido "há várias décadas" na região, a aprovação das duas candidaturas - Património Imaterial Português e UNESCO - seria a "cereja no topo do bolo".

Nas declarações à Lusa reconheceu ainda que o processo está no bom caminho: "Sim, essa é a sensação que temos. Que estamos no bom caminho, que sabemos para onde vamos, por onde queremos ir e que o processo está devidamente fundamentado para que possamos chegar àquilo que tem sido o desejo da população em geral".

A autarca recordou que o município das Lajes do Pico começou há três anos com o "grande projeto" para, um dia, fazer uma candidatura à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, "que há muito [é] também desejada pela população" do concelho.

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"Esse trajeto é um trajeto longo, mas que deve ser feito de forma sólida. Começámos, então, a preparar a candidatura ao património imaterial português" e, no âmbito da candidatura foi recolhida informação desde a construção naval às regatas, aos saberes associados às regatas e ao manuseamento do bote baleeiro.

Essa informação foi compilada e a autarquia entregou a candidatura ao património imaterial português no dia 21 de junho de 2025.

"É uma candidatura, [que] não é das Lajes [do Pico], não é da Câmara, é sim dos picarotos, é dos açorianos, para que o património e o nosso bote baleeiro seja reconhecido e os saberes associados sejam reconhecidos no património imaterial português", justificou.

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Depois de passar todas as fases da avaliação do património imaterial português, o processo chegou agora à fase de consulta pública, para o Património Português "saber se há mais alguma informação que possa fazer parte da candidatura para que ela [a atividade baleeira], então, seja classificada como património imaterial português".

Após essa candidatura ser aprovada, segue-se o envio do processo para a UNESCO, tendo o município contratado a mesma empresa que entregou a candidatura do barco moliceiro, que foi reconhecido em dezembro de 2025 como Património Mundial.

O Património Cultural deu início este mês ao processo de consulta pública para a inscrição da manifestação "Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico" no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

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De acordo com o anúncio publicado no dia 06 de julho em Diário da República, a consulta pública decorre durante 30 dias, permitindo que cidadãos e entidades apresentem observações sobre o processo.

Após a consulta pública, o Património Cultural dispõe de um prazo de 120 dias para decidir sobre a inscrição da manifestação no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

A candidatura visa reconhecer e salvaguardar os conhecimentos e técnicas associadas ao manuseamento e à construção do bote baleeiro açoriano nas Lajes do Pico, uma marca cultural dos Açores.

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A caça da baleia no arquipélago dos Açores terminou em 1984.

A captura processava-se com base em barcos de boca aberta e em métodos artesanais, com recurso a um arpão, sendo posteriormente os cetáceos desmanchados nas unidades industriais que existiam nas várias ilhas do arquipélago.

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