Líder da CGTP reclama controlo de preços e acusa Governo de desconhecer dificuldades de quem trabalha
Tiago Oliveira considerou que há uma "falta de resposta" do executivo da Aliança Democrática, reivindicando que "se limite os preços".
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, defendeu este sábado o controlo dos preços e acusou o Governo de não sentir as dificuldades de quem trabalha, reclamando um aumento dos salários durante uma manifestação da central sindical em Lisboa.
"Que se balize os preços, que se balize as taxas de juros. Não podemos é ter uma política que continua a condicionar a vida de todos nós, daqueles que menos têm", disse, em declarações aos jornalistas no arranque da manifestação da central sindical em Lisboa, que se iniciou no Cais de Sodré e decorre no Rossio esta tarde.
Tiago Oliveira considerou que há uma "falta de resposta" do executivo da Aliança Democrática (PSD/CDS-PP), reivindicando que "se limite os preços".
"Aqueles que dizem que nunca há dinheiro para nada, têm que ir explicar aos trabalhadores, à população se, perante estas circunstâncias que tanto nos afetam, é normal que neste mesmo período os grandes grupos económicos estejam a ter os maiores lucros de sempre", disse, afirmando que esta circunstância "demonstra bem a política do Governo" e "a quem presta vénia".
Tiago Oliveira sublinhou a dificuldade de acesso dos trabalhadores aos bens de necessidade e lembrou o aumento dos preços de combustíveis.
Para o secretário-geral da central sindical, "este governo não altera [as circunstâncias] por uma razão: porque não sente a dificuldade da vida quem trabalha. Não sente".
De seguida, apontou dificuldades concretas, referindo o custo da habitação, dos preços nos postos de abastecimento e dos bens nos supermercados.
"Acham que quem está à frente do país, quem está neste momento a dirigir o país, sabe o que é viver com um ordenado de 1.000 euros? Sabe o que é que significa num ordenado de 1.000 euros [e] ter uma renda para pagar de 800 ou 900 euros? Um preço de litro de combustível a 2,30 euros, o preço da carne, o preço do leite, da forma que está? Não sabem, não sentem", questionou-se.
"Aquilo que está a acontecer acontece por falta de resposta e de vontade política. E cá estamos, como estivemos no pacote laboral, a lutar", disse, numa referência ao combate à proposta de lei do Governo para alterar a legislação do trabalho, que foi chumbada no parlamento este ano.
A central reivindica o aumento do salário mínimo nacional para 1.110 euros, reivindicação lembrada no palco por um elemento da CGTP depois de o desfile chegar ao Rossio, pouco depois das 16:00.
A manifestação concentra dezenas de milhares de manifestantes, com cartazes em defesa da melhoria do Serviço Nacional de Saúde (SNS), melhor educação, melhores salários no setor público e no privado, melhores pensões, a aposta em política educativa e em medidas que promovam a habitação.
Muitos dos manifestantes erguem cartazes sobre o aumento do custo de vida e o preço das rendas nas cidades portuguesas.
Para o local onde termina a manifestação está marcada, para as 17:00, uma acampada em defesa de políticas de habitação, com o nome "Não dá mais? Então monta a tua tenda!".
A manifestação da CGTP tem o mote "Mais salário, melhores pensões e serviços públicos | Contra o aumento do custo de vida | Novo rumo para Portugal!" e é a última de três organizadas este sábado pela CGTP, depois de desfiles no Porto e em Coimbra.
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