Linhares Furtado critica ingerência de poder político nas direcções médicas

O médico Alexandre Linhares Furtado, que esta segunda-feira recebeu o Prémio Nacional de Saúde 2011, criticou a ingerência do poder político na selecção das direcções dos serviços de acção médica.<br/>

09 de abril de 2012 às 15:12
Alexandre Linhares Furtado, médico, transplante renal, prémio nacional de saúde,poder político, acção médica Foto: Lusa
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"No campo dos princípios, é intolerável O desrespeito pelo princípio da competência que, na prática, se vê frequentemente triturado nas malhas das ramificações político-administrativas periféricas e outras de matizes multicolores", disse o pioneiro da transplantação renal em Portugal.

No seu discurso após a entrega do galardão, o cirurgião classificou de "exemplo objectivo e inaceitável" que "o poder político, através de uma cadeia administrativa de dependência fortemente politizada, se prolongue até à selecção das direcções dos serviços de acção médica".

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O especialista criticou também a "ingerência burocrática administrativa" que, na sua opinião, "estendeu longe demais 'o poder do poder', sobre o primado do conhecimento e as definições da competência".

"A competência da área médica é isoladamente considerada o mais poderoso factor de credibilidade do sistema, com a relevância crucial na sua sustentabilidade global e evolução positiva", disse.

Alexandre Linhares Furtado defendeu uma "inadiável reconfirmação do sistema às actuais realidades".

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"Encontrar o melhor caminho para evitar ou atenuar o indesejável exigirá, por um lado, a retracção dos limites da gestão política na área da saúde e, por outro, um grande esforço de auto-reflexão das instituições profissionais, nomeadamente da Ordem" dos Médicos.

O cirurgião partilhou ainda com as dezenas de convidados que assistiram à cerimónia do Dia Mundial da Saúde, no anfiteatro do Infarmed, em Lisboa, as suas reservas em relação ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), quando da sua criação.

"Sempre me pareceram desajustadas as ambições inscritas no modelo estatal e tendencialmente monopolizador dos nossos cuidados de saúde, a que prestei o meu serviço de alma e coração, face ao quadro social político em que o país teria de mover-se", disse.

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