Medicamentos falsos financiam terrorismo
A venda de medicamentos contrafeitos e ilegais através da internet é um negócio crescente que ultrapassa os lucros do narcotráfico relativos à venda da heroína e cocaína, com valores superiores aos 50 mil milhões de euros por ano. Portugal não escapa ao fenómeno deste comércio ilegal e, em 2008, foram apreendidos nos portos e aeroportos portugueses 32 mil medicamentos falsos, com valores que atingem 1,3 milhões de euros.
Em 2007, a apreensão rondou as 28 mil unidades de medicamentos, alertou o subdirector-geral das Alfândegas e Impostos Especiais sobre o Consumo, José Figueiredo.
Segundo aquele responsável, este negócio ilegal e perigoso para o consumidor “é uma fonte de financiamento do terrorismo internacional”.
O presidente do conselho de administração da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), Vasco Maria, alerta que “enquanto houver quem compre medicamentos contrafeitos ou ilegais pela internet haverá sempre alguém que os produza”.
Em Portugal não há registos que indiquem ter havido mortes provocadas pelo consumo de medicamentos falsos ou ilegais, mas Vasco Maria não exclui essa possibilidade. “Não temos dados objectivos nem registos sobre esse problema mas sabemos de de mortes relacionadas com o consumo de medicamentos contrafeitos ou ilegais que ocorreram na Argentina e na China. Por cá, já tivemos alguns problemas relacionados com o consumo de medicamentos manipulados para emagrecer mas as pessoas não apresentam queixa porque sabem que adquiriram esses produtos por uma via não legal.”
A venda de medicamentos ilegais ou falsos destinam-se para o combate de várias doenças, oncológicas, impotência sexual, obesidade, doenças cardiovasculares e para tratar a hormona do crescimento.
Segundo Vasco Maria, “os ginásios poderão ser alguns estabelecimentos de utilização destes produtos para a hormona do crescimento porque alguns desses produtos são para o body built”.
José Figueiredo referiu ainda que “mais de 90 por cento dos medicamentos falsos apreendidos são provenientes de fábricas clandestinas da Índia, mas também da China, Israel e do Brasil.
Vasco Maria afirma que “não se pode garantir que estes medicamentos falsos não entrem no circuito legal, porque já houve o caso de um medicamento falso que circulou por todo o mundo e acabou por entrar no circuito legal no Reino Unido. Essa possibilidade é baixa mas existe.”
A operação Pangea II de combate à contrafacção a nível mundial, realizado por agência do medicamento e autoridades policiais e alfandegárias envolveram 27 países – dos quais não estão incluídos esses países fabricantes acima indicados – e a acção termina dia 20 de Novembro.
Dessa acção resultou a identificação de 751 sites identificados, dos quais 72 foram encerrados, emitidas 11 cartas avisos para esses sites ilegais, foram apreendidas 995 encomendas e 166.540 medicamentos falsos.
A campanha resultou ainda em nove mandados de busca executados e 22 indivíduos estão sob investigação
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt