Médicos denunciam falhas na campanha de vacinação

Maior parte das pessoas internadas com gripe não estava vacinada.

07 de janeiro de 2024 às 01:30
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O número de mortes está a disparar em Portugal e é o mais alto desde a pandemia. Nas duas últimas semanas de 2023 houve 1048 óbitos acima do expectável, o que equivale a um excesso de mortalidade que ultrapassa os 21% em pessoas com mais de 45 anos, segundo dados da Direção-Geral da Saúde (DGS).

“Os indicadores traduzem o impacto da epidemia de gripe sazonal intensa e com tendência crescente”, reconhece a DGS. Um dos fatores associados ao excesso de mortalidade, dizem os médicos, é a diminuição da taxa de vacinação contra a gripe e a Covid-19 em relação a anos anteriores.

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“A estratégia adotada pela Direção Executiva do SNS para a vacinação sazonal do outono-inverno 2023-2024 contra a gripe e contra a Covid-19 em farmácias comunitárias não produziu os efeitos esperados, tendo colocado Portugal bastante abaixo da cobertura vacinal alcançada em anos anteriores, quando esta era assegurada pelos centros de saúde”, denuncia a Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar. Em todas as faixas etárias houve uma diminuição da cobertura vacinal.

“A maior parte das pessoas internadas nas unidades de cuidados intensivos tem gripe e não tinha vacinação”, corrobora o médico pneumologista Filipe Froes.

A ativação dos centros de saúde para apoio levou a uma maior vacinação, mas “perdeu-se o tempo de resposta atempado e aos mesmos níveis dos anos anteriores”, critica a associação. A DGS reconhece que a “cobertura vacinal para a gripe” foi inferior à da época anterior e apela à vacinação.

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Entretanto, a presidente da Associação Nacional de Farmácias, Ema Paulino, rejeitou que as farmácias tenham falhado na vacinação sazonal, assinalando que a maioria das pessoas vacinadas o fez nas farmácias.

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