Médicos querem estudos independentes e atacam tabaqueiras
Adolescentes e jovens representam aumento dos consumidores de tabaco não combustível.
A falta de estudos científicos que indiquem quais os malefícios a longo prazo que o tabaco não combustível - tabaco aquecido e produtos com nicotina, como os cigarros eletrónicos – terá na saúde das pessoas está a preocupar as sociedades médico-científicas, que exigem a realização de estudos independentes.
"A indústria tabaqueira, diretamente ou através de fundações por si financiadas, tem vindo a difundir a ideia de que os novos produtos são alternativas ‘saudáveis’ ou ‘mais saudáveis’ ao tabaco combustível", refere um comunicado da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e do Grupo Multidisciplinar de Tabagismo, que congrega 14 Sociedades Médico-Científicas.
Segundo a SPC, "68% dos 71 artigos sobre tabaco aquecido publicados em 2018 correspondem a artigos cujos autores são funcionários das tabaqueiras ou reportam conflitos de interesse com as mesmas". Além disso, o aumento dos consumidores destes novos produtos corresponde "sobretudo a adolescentes e jovens adultos".
"É importante esclarecer que o vício continua, as pessoas que consomem produtos de tabaco não combustível continuam com o vício da nicotina", alerta Vítor Gil, presidente da SPC.
Em resposta à Lusa, a Tabaqueira frisa que o tabaco aquecido é uma "melhor alternativa" pois não envolve combustão, e garante existirem " 20 estudos independentes e de organismos oficiais que confirmam que o tabaco aquecido constitui uma melhor alternativa".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt