Mini-incisão trata vesícula
É uma cirurgia menos invasiva – basta uma incisão de dois milímetros – e que permite uma recuperação rápida. A cirurgia minilaparoscópica, utilizada para tirar pedras da vesícula, já é realizada num hospital privado de Lisboa.
Esta técnica está a dar os primeiros passos em Portugal e é mais evoluída do que a laparoscopia, cirurgia praticada desde 1987 que consiste na introdução de um tubo na cavidade abdominal, através de uma pequena incisão, normalmente feita por baixo do umbigo. Na laparoscopia, é insuflado um gás, que permite dilatar o abdómen e facilitar a observação dos órgãos internos. A minilaparoscopia permite fazer cirurgias, das mais simples às mais complexas, mas com incisões ainda mais pequenas no abdómen, como por exemplo para tratar um apêndice, o cólon, laquear trompas ou tirar um quisto hepático.
Existem outras duas tendências da laparoscopia: através de uma única incisão ou por orifícios naturais: boca, ânus, uretra ou vagina. Consoante os órgãos a tratar, os cirurgiões escolhem qual o procedimento.
A cirurgia pode ser feita através de uma única incisão umbilical, de 1,5 centímetros, por onde passam os três trocares (instrumentos) com os quais se vão colocar as pinças e a câmara para a cirurgia.
Entre as vantagens para os doentes estão a rápida recuperação no pós-operatório e a ausência de marcas da incisão, visíveis a olho nu.
MENOR USO DE ANESTESIA
Em comparação com as intervenções cirúrgicas convencionais, as três técnicas de laparoscopia trazem benefícios para o doente, pois resultam numa diminuição da dor intra e pós-operatória, com menor necessidade de anestesia. Além desta vantagem, a nova técnica implica uma menor complicação da ferida cirúrgica, isto é, menos probabilidade de infecção, hérnia e dor.
DISCURSO DIRECTO
"ESTA NOVA TÉCNICA É MENOS AGRESSIVA": Carmen Maillo, Cirurgiã no Hospital dos Lusíadas
Correio da Manhã – Qual a maior vantagem deste tipo de cirurgia?
Carmen Maillo – Permite que o doente tenha menos efeitos secundários inerentes a um pós-operatório. É uma técnica cirúrgica muito menos invasiva.
– É um grande avanço em relação à técnica habitualmente utilizada?
– Sim, porque permite fazer a cirurgia com uma menor agressão cirúrgica ao doente. Este vai sentir menos dor no pós-operatório e terá uma recuperação muito mais rápida.
– Tem havido evolução na tecnologia usada neste tipo de cirurgia?
– Tem havido uma grande evolução e espera-se que se vá desenvolver ainda mais, porque em alguns casos temos de usar instrumentos cirúrgicos pediátricos.
– Quantas pessoas já recorreram a esta técnica?
– Contamos 62 pacientes que já foram submetidos a esta nova técnica cirúrgica.
O MEU CASO: VERÓNICA FLORES
"NÃO SE NOTAM CICATRIZES E FOI MUITO RÁPIDO"
Verónica Flores, de 35 anos, já estava a preparar-se para fazer uma viagem a Espanha, seu país natal, com o único propósito de se submeter a uma cirurgia para retirar uma pedra na vesícula, quando foi aconselhada por Carmen Maillo, médica cirurgiã especialista na nova técnica da laparoscopia, a fazer a cirurgia em Lisboa.
Poucos dias após a cirurgia, Verónica Flores contou ao Correio da Manhã os problemas que teve com a presença da pedra na vesícula e porque é que optou pela intervenção cirúrgica. "Foi horrível, chegou a um ponto em que não conseguia fazer a digestão, não conseguia comer, não dormia. Não podia continuar mais desse modo e tive de tomar a decisão de ser operada."
O recurso à nova técnica cirúrgica convenceu-a. "Foi óptimo e correu tudo muito bem, porque tive alta médica passadas poucas horas e pude ir para casa. Tenho filhos pequenos [de dois, três e seis anos] e não podia perder tempo com muitos dias de internamento hospitalar, nem numa recuperação longa", explica.
Verónica Flores está satisfeita por não ter ficado com cicatrizes. Exibe a barriga e o local das três incisões – uma no umbigo e duas mais acima.
A única marca visível é um pequeno ponto que mais parece um sinal natural. "Posso usar biquíni na praia sem que se notem as cicatrizes da operação."
Verónica é casada e trabalha como terapeuta de crianças, porque adora trabalhar com elas.
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