Movimento apela à compensação de consumidores afetados pela crise da água em Almada
Nos últimos dias, moradores de várias localidades do concelho têm relatado sucessivas falhas de água.
O Movimento Futuro da Costa (MFC) apelou esta terça-feira a uma união de todas as forças políticas de Almada, para que aprovem uma medida extraordinária de compensação para os consumidores afetados pelas sucessivas interrupções do abastecimento de água.
Em comunicado, o MFC, que tem apenas representação na Assembleia de Freguesia da Costa da Caparica, defende que a prioridade do momento deve ser encontrar soluções para os milhares de cidadãos afetados pela situação.
"O MFC não dispõe de representação na Câmara Municipal nem na Assembleia Municipal, pelo que não pode apresentar propostas formais àqueles órgãos. Contudo, os partidos que aí têm assento podem fazê-lo", refere o movimento em comunicado, adiantando que "a água não tem cor política. A resposta a esta crise também não a deve ter".
Segundo o movimento, nos últimos dias houve uma sucessão de moções, comunicados e acusações entre forças políticas, e embora considere que "cada partido é livre de assumir as posições que entender", advoga que o mais importante é perguntar "de que forma é que isso ajuda quem continua sem água nas torneiras."
No documento, o MFC, que na segunda-feira entregou um memorando aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, apresenta algumas soluções para a crise que o concelho tem vivido nos últimos dias, como a redução extraordinária da tarifa da água para os consumidores afetados, compensações proporcionais à duração e frequência das interrupções e medidas específicas de apoio ao comércio, restauração, IPSS e outras entidades particularmente prejudicadas.
"O MFC efetuou uma análise preliminar da viabilidade desta medida e considera que é possível encontrar uma solução equilibrada e financeiramente responsável. Nesse sentido, manifesta desde já total disponibilidade para colaborar tecnicamente com todas as forças políticas na construção desta proposta, independentemente da sua autoria", adianta o movimento, frisando que os cidadãos "esperam menos confrontação política e mais capacidade de entendimento".
Nos últimos dias, moradores de várias localidades do concelho têm relatado sucessivas falhas de água, tendo sido lançada uma petição, que conta já com mais de quatro mil assinaturas, na qual são exigidas medidas urgentes para minimizar os impactos da falta de água.
O plano de contingência dos SMAS de Almada foi ativado e criado um gabinete de crise e a Câmara Municipal de Almada anunciou que está a diligenciar licenciamentos de novos furos de captação de água junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), por ser "a solução mais rápida" para colmatar as falhas de abastecimento que têm ocorrido.
Num comunicado emitido conjuntamente com os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) na noite de segunda-feira, a autarquia assumiu que já foram iniciados contactos com as Águas de Portugal e também com a APA, para colmatar as falhas de abastecimento relatadas por vários cidadãos do concelho.
O PSD, na oposição no município, anunciou, entretanto, que vai apresentar uma moção de censura à presidência da autarquia, liderada por Inês de Medeiros (PS).
A moção de censura, mesmo que seja aprovada, não é vinculativa e, por isso, não terá qualquer efeito prático na continuidade do executivo, mas o presidente da Comissão Política Concelhia de Almada do PSD e também vereador, Paulo Sabino, espera que seja "um abre olhos" para a presidente da autarquia.
A Câmara Municipal de Almada, liderada pela socialista Inês de Medeiros, tem quatro elementos eleitos pelo PS, três pela CDU (PCP-PEV), dois pelo PSD e outros dois eleitos pelo Chega. Em minoria, o PS assinou um acordo de governação com a CDU.
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