Movimento critica falta de limpeza das florestas e acusa políticos de abandono após 'comboio de tempestades'

Movimento foi criado contra a ideia de que "os incêndios são inevitáveis, recusando a sua normalização".

13 de julho de 2026 às 10:58
Limpeza de florestas Foto: Ricardo Graça / Lusa
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O movimento Rede de Resposta a Incêndios/Floresta do Futuro acusou esta segunda-feira as elites políticas de abandonarem o mundo rural, não dando prioridade à limpeza das florestas após o comboio de tempestades do início do ano.

"Mais de 30 mil hectares ardidos até aos primeiros dias de julho confirmam o pior ano desde 2017: Portugal foi abandonado pelas suas elites", refere em comunicado o movimento, criado em 2022, que visa sensibilizar a sociedade para a prevenção de fogos e valorização do mundo rural.

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"O início deste mês foi devastador, com mais de 15 mil hectares de área ardida, o que faz do incêndio de Vouzela um dos maiores mega-incêndios da história recente de Portugal", mas "nada do que está a acontecer era inesperado ou inevitável" e, "nos meses que se aproximam, é expectável um cenário ainda mais grave, já que a floresta derrubada pelas tempestades de janeiro continua acumulada no terreno, secando à espera de arder".

Para a dirigente do movimento Sílvia Carreira, a resposta do poder político tem sido "permitir que o abandono se agrave e criar condições para uma exploração cada vez mais intensiva dos solos e dos recursos naturais".

Hoje, a "política pública é extremamente simples: deixar queimar e promover o abandono que embaratece a exploração dos solos, dos recursos e das pessoas que ainda resistem no interior", referiu, citada no comunicado.

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"Enquanto estas catástrofes, promovidas pelo modelo económico que continua a favorecer a exploração intensiva do território, incluindo os setores da pasta de papel e dos combustíveis fósseis, contam com a complacência deste Governo e dos anteriores", consideram os ativistas que apontam o facto de o primeiro-ministro ter optado por ir aos EUA para o Mundial de futebol em vez de ir ao terreno.

A "imagem transmitida é profundamente reveladora do distanciamento entre o poder político e a realidade vivida pelas populações", porque o "abandono do país e em particular das regiões rurais é absoluto, intencional e que já nem sequer é escondido".

Para o movimento, "o abandono das regiões rurais tornou-se estrutural e a ausência de respostas políticas à altura deixou de poder ser ignorada", com o povo "entregue a si mesmo e os governos completamente divorciados de quem supostamente representariam".

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O movimento foi criado contra a ideia de que "os incêndios são inevitáveis, recusando a sua normalização e contestando a falsa inevitabilidade de um modelo territorial que produz tragédia após tragédia".

Para tal, a rede pede "uma transformação profunda do mundo rural, assente na redução da dependência do eucalipto, na descarbonização da economia baseada na redução efetiva das emissões de combustíveis fósseis" e "na democratização da gestão do território e dos seus recursos".

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