Movimento pela habitação cria no Porto Iniciativa Legislativa de Cidadãos para levar tema ao Parlamento

A ideia de avançar com esta ferramenta decorre, ainda segundo o mesmo panfleto, do seu sucesso, assinalando que já foram admitidas 13 Iniciativas Legislativas de Cidadãos e aprovadas sete.

22 de outubro de 2026 às 19:23
Parlamento Foto: António Cotrim/Lusa
Partilhar

O movimento pela habitação avançou esta sexta-feira, no Porto, com uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) com o propósito de que as suas reivindicações possam tornar-se um projeto de lei e, dessa forma, levar a discussão para o Parlamento.

Para o conseguirem, explicaram elementos do movimento às cerca de 150 pessoas que assistem à sessão de esclarecimento na Praça D. João I, terão de angariar vinte mil assinaturas, que esperam alcançar através do 'QR code' que está no folheto distribuído.

Pub

Nessa informação explicam que a ILC é um mecanismo que permite a pessoas cidadãs eleitoras apresentar um projeto de lei na Assembleia da República.

A ideia de avançar com esta ferramenta decorre, ainda segundo o mesmo panfleto, do seu sucesso, assinalando que já foram admitidas 13 ILCs e aprovadas sete.

Para o efeito, continua o documento, uma vez apurados os temas que a ILC integrará, serão precisos entre cinco e 10 representantes para elaborar a proposta, 20 mil assinaturas e apresentar a proposta na Assembleia da República.

Pub

Segundo os elementos do movimento que estão a apresentar a proposta, "as vozes na rua podem não ser suficientes" para atingir o objetivo de conseguir melhores condições no acesso à habitação em Portugal, sendo que as ILC "têm capacidade para influenciar leis futuras".

"Precisamos de 20 mil assinaturas. Queremos chegar a todas as cidades de Portugal, a todas as pessoas que estão connosco", acrescentou um dos elementos promotores.

Pelas 18:50, dois veículos da Polícia Municipal e um da PSP encontravam-se estacionados juntos à praça.

Pub

Pelas 19:30 segue-se nova assembleia popular.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

Pub

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar