“Necessária posição firme do Governo sobre Almaraz”
Autorizado funcionamento de armazém de resíduos nucleares próximo da fronteira.
Os ambientalistas reclamam "uma posição firme do Governo português contra a construção do armazém de resíduos em Almaraz, bem como sobre a continuidade da central nuclear a funcionar depois de 2020", disse esta quarta-feira ao CM, Nuno Sequeira, da Quercus, que integra o Movimento Ibérico Antinuclear (MIA).
O pedido para uma posição clara do Governo surge depois da central espanhola, instalada a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal, ter recebido autorização para pôr em funcionamento o armazém por parte da Direção-Geral de Política Energética e Minas, do ministério espanhol para a Transição Ecológica.
"Não é uma decisão que nos surpreenda. Sabíamos que o processo [construção do Armazém Temporário Individualizado] continuava em marcha", afirmou Nuno Sequeira, lamentando o desfecho.
"Almaraz tem capacidade para armazenar os seus resíduos até ao final da sua vida útil, pelo que a entrada em funcionamento do armazém pode ser justificada para receber resíduos de outras centrais nucleares", acrescentou.
Conhecida a decisão de Madrid, os ambientalistas vão agendar uma reunião com os ministros do Ambiente e da Administração Interna portugueses.
Vila Velha de Ródão é localidade mais próxima
Autorizada a funcionar por mais dois anos
A licença de funcionamento da Central de Almaraz acaba em junho de 2020. Será o Governo de Madrid a decidir se a licença será então renovada.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, não avança qual será o futuro de Almaraz, apesar dos riscos para a segurança pública.
PORMENORES
Decisão judicial pára obra
A decisão de Espanha de criar um armazém de resíduos nucleares central em Cuenca foi suspensa por decisão judicial. Almaraz pode ser a alternativa.
Governo está informado
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, prometeu em julho a António Costa fornecer "toda a informação" a Portugal sobre a central nuclear.
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