Nova espécie de anfíbio do Jurássico identificada em fósseis em Portugal

Espécie foi identificada em pequenos fósseis com 150 milhões de anos.

26 de janeiro de 2026 às 12:05
Museu da Lourinhã Foto: GEAL - Museu da Lourinhã
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Uma nova espécie de anfíbio do Jurássico foi identificada em Portugal, na região da Lourinhã, em pequenos fósseis com 150 milhões de anos, numa investigação do paleontólogo Alexandre Guillaume, cujos resultados foram publicados no Journal of Systematic Palaeontology.

Como o material usado para descrever a nova espécie foi encontrado com a ajuda de um projeto de Ciência Cidadã, realizado no Parque dos Dinossauros de Lourinhã e no Museu da Lourinhã, os investigadores escolheram o nome de Nabia civiscientrix para a nova espécie, também anunciada pelo Museu da História Natural de Londres.

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A Nabia civiscientrix viveu há 150 milhões de anos, no Jurássico, um período cuja diversidade de dinossauros está documentada, mas não a das criaturas que rastejavam aos seus pés, explicou o paleontólogo da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e do Museu da Lourinhã.

Com menos de cinco centímetros de comprimento e um sistema de alimentação com língua balística semelhante ao dos camaleões modernos, a Nabia civiscientrix é o anfíbio mais antigo conhecido do seu tipo encontrado em Portugal, acreditando os investigadores que os novos dados podem ajudar a entender melhor o ecossistema de onde veio.

Os restos de espécimes mais bem preservados encontrados na Lourinhã foram enviados para Inglaterra para serem submetidos a uma microtomografia computadorizada em Londres, com os professores Marc Jones, do Museu de História Natural de Londres (Reino Unido) e Susan Evans, da University College London.

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"Até recentemente, os estudos concentravam-se num conjunto limitado de ossos facilmente reconhecíveis, porque durante muito tempo não tivemos espécimes completos nem articulados, e vários ossos não foram ilustrados e, portanto, não foram identificados", lamenta Alexandre Guillaume.

Assim, algumas espécies podiam ser descritas com base apenas em alguns ossos, mas depois não podiam ser comparadas com espécimes mais completos nos quais esses ossos estariam em falta ou mal preservados.

No entanto, com base nas observações a partir do novo material e de outros espécimes em todo o mundo, os investigadores propuseram um novo conjunto de dados morfológicos para análises futuras, implementando novas características e atualizando as anteriores, o que constitui um dos principais resultados deste trabalho, segundo os investigadores.

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O trabalho de investigação contou com a supervisão de Miguel Moreno-Azanza e de Eduardo Puertolas-Pascal, da Universidade de Saragoça (Espanha).

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