Novo tratamento de imunoterapia contra cancro revela resultados preliminares em ensaio internacional
Primeira fase do ensaio START001 avaliou o medicamento experimental 'invikafusp alfa'.
Um tratamento experimental de imunoterapia revelou sinais preliminares de atividade contra tumores resistentes a outros tratamentos, num ensaio clínico internacional coliderado por investigadores do Princess Margaret Cancer Centre, em Toronto, cujos resultados foram publicados hoje na revista científica Nature Medicine.
"Este estudo fornece-nos as primeiras provas clínicas de que é possível ativar seletivamente células T relevantes para os tumores e produzir atividade antitumoral", afirmou Lillian Siu, oncologista e investigadora sénior do centro canadiano, citada num comunicado da University Health Network (UHN).
A investigadora, também professora de Medicina na Universidade de Toronto, ressalvou que os resultados são preliminares e precisam de confirmação em estudos maiores, embora considere encorajadoras as respostas observadas em alguns doentes com opções terapêuticas limitadas.
A primeira fase do ensaio START001 avaliou o medicamento experimental 'invikafusp alfa', desenvolvido para estimular seletivamente dois subgrupos de linfócitos T, designados Vß6 e Vß10, que representam cerca de 10% destas células do sistema imunitário.
Segundo os investigadores, esta abordagem procura concentrar a resposta imunitária nas células potencialmente envolvidas no combate ao cancro, evitando uma ativação mais generalizada do sistema imunitário. No entanto, ainda não está demonstrado que reduza os efeitos secundários.
O estudo envolveu 58 participantes em 10 centros oncológicos do Canadá, França, Espanha e Estados Unidos, tendo a análise principal abrangido 52 doentes com 21 tipos diferentes de tumores sólidos em estádios avançados.
Entre os 27 participantes tratados com as doses selecionadas para investigação adicional, quatro (14,8%) apresentaram uma resposta objetiva, o que significa que os tumores diminuíram suficientemente para cumprir critérios clínicos estabelecidos.
Nesse mesmo grupo, 12 participantes (44,4%), registaram algum grau de redução tumoral, incluindo diminuições que não atingiram os critérios necessários para serem classificadas como respostas objetivas.
Entre 18 participantes cujos cancros tinham deixado de responder a imunoterapias anteriores, 12 (66,7%), alcançaram controlo da doença, definido como redução ou estabilização dos tumores.
Foram observadas respostas em diferentes cancros, incluindo alguns tipo de cancro colorretal e do pulmão, em situações em que as imunoterapias atualmente disponíveis podem apresentar limitações.
Os investigadores observaram ainda a expansão seletiva dos linfócitos T visados pelo medicamento no sangue e nos tumores, mas sublinharam que a dimensão reduzida e a diversidade da amostra impedem conclusões definitivas sobre a eficácia, a duração das respostas ou a segurança comparativa.
A segunda fase ensaio está em curso e deverá fornecer novos dados sobre a atividade antitumoral do tratamento, cujo desenvolvimento é financiado pela empresa Marengo Therapeutics, à qual Lillian Siu presta aconselhamento científico e na qual detém uma participação no capital.
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