Número de casos de “febre da carraça” aumenta em Portugal
Em Portugal, o número de casos humanos de “febre da carraça” – uma das doenças transmitidas por estes ectoparasitas – tem vindo a aumentar nos últimos anos, facto que é justificado pelo aumento de animais de estimação, pela falta de condições de higiene de muitos destes animais, muitas vezes originada pelo abandono e, também, pelas características climatéricas do país que registam cada vez mais temperaturas elevadas para as estações do ano.
As Doenças Transmitidas por Carraças (DTC) constituem um perigo para a saúde animal e para a saúde pública pelas consequências que representam e por poderem levar à morte, caso não seja feita uma intervenção rápida, revela a Direcção Geral de Saúde (DGS).
Segundo os últimos dados divulgados pela DGS, as regiões do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo foram as que mais casos de febre escaronodular, a chamada "febre da carraça". Registaram nos dois últimos anos de análise: em 2007, a região Norte registou 34 casos, o Centro 57 e Lisboa e Vale do Tejo 34 casos, dados que sofreram um ligeiro crescimento em 2008, especialmente no Centro, zona onde se registaram 63 novos casos e na região de Lisboa e Vale do Tejo com um registo de mais 43 casos.
Embora com uma expressão menor, as regiões do Alentejo e do Algarve registaram, em 2007, praticamente o mesmo número total de casos (18 e 19, respectivamente), mas evoluíram de forma bem diferenciada, em 2008, com 27 novos casos registados no Alentejo e apenas 6 no Algarve.
As carraças são parasitas que se instalam na pele, que se alimentam do sangue e que podem transmitir doenças graves, tanto ao animal como ao Homem.
Existem cerca de 800 espécies de carraças em todo o mundo, embora em Portugal a mais comum é a espécie Rhipicephalus sanguineus, uma carraça de corpo castanho que parasita frequentemente o cão na zona das orelhas, pescoço e patas.
Após se alimentarem do sangue do hospedeiro as fêmeas adultas caem para o chão onde fazem a postura dos ovos.
Uma carraça adulta pode produzir milhares de ovos - entre 2000 a 20.000 ovos - e algumas espécies chegam a fazê-lo duas vezes por ano. Os ovos, no solo desenvolvem-se ao encontrar condições propícias, especialmente zonas de vegetação baixa ou de altura média e com humidade.
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