“O dr. António Ferreira também não vê doentes”
José Manuel Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos sobre denúncia de cirurgiões que não fazem operações
Correio da Manhã – O administrador do Hospital de São João diz que tem 30 cirurgiões que nunca foram ao bloco.... Como é que se explica esta situação?
José Manuel Silva – Não sei quais são as justificações, mas o dr. António Ferreira, que é médico, também não vê doentes, não vai às enfermarias... Dizer, como ele disse, que há cirurgiões que não vão ao bloco parece que os profissionais não cumprem com as suas obrigações, que são uns grandes malandros. Não é ético nem deontológico afirmar isso.
– Qual é a justificação que encontra?
– Não sei qual é a justificação, ele que diga porque é que não operam. Mas, se de alguma forma, algum médico não cumpre, a responsabilidade é do conselho de administração, que deve actuar.
– A Ordem dos Médicos tem conhecimento de algum cirurgião que tenha recusado operar?
– Não tenho qualquer informação, mas se tivesse, abria imediatamente um processo disciplinar ao médico, porque o dever deste é defender os interesses dos doentes.
– Acumular funções de direcção pode ser um dos motivos?
– Há cirurgiões que dada à idade não operam, mas pela experiência e conhecimentos que têm são absolutamente essenciais e uma mais-valia para o hospital, e também porque dão formação aos clí-nicos mais novos.
– Os cirurgiões não deviam operar mais para diminuir as listas de espera e rentabilizar os blocos operatórios?
– Segundo as normas das boas práticas clínicas, são necessários dois cirurgiões por cada cirurgia, e há casos em que são precisos três especialistas. Nem sempre há condições para reunir uma equipa, que inclui um anestesista e instrumentista.
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