OMS recomenda novas ferramentas de diagnóstico para ajudar a erradicar a tuberculose

Novas diretrizes recomendam testes no local de atendimento, que funcionam com bateria e apresentam resultados em menos de uma hora.

24 de março de 2026 às 12:17
OMS, Organização Mundial da Saúde Foto: Getty Images
Partilhar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) instou esta terça-feira os países a acelerarem a erradicação da tuberculose, alargando o acesso a diagnósticos rápidos e inovadores para detetar mais casos atempadamente.

No Dia Mundial da Tuberculose, sob o tema "Sim! Podemos acabar com a tuberculose: liderados pelos países, impulsionados pelas pessoas", a OMS apela a diagnósticos rápidos e acessíveis, ao combate dos fatores sociais da doença e à proteção dos serviços de combate à tuberculose face a crises e restrições de financiamento.

Pub

As novas diretrizes da OMS recomendam testes no local de atendimento, que funcionam com bateria e apresentam resultados em menos de uma hora, esfregaços da língua e agrupamento de amostras, para detetar mais casos e reduzir custos.

Segundo a OMS, estes testes portáteis e fáceis de utilizar aproximam o diagnóstico da tuberculose dos locais onde as pessoas procuram habitualmente cuidados de saúde, estando disponíveis por menos de metade do custo de muitos diagnósticos moleculares existentes, podendo ajudar os países a alargar o acesso aos testes.

As amostras por esfregaço da língua permitem que adultos e adolescentes que não conseguem produzir expetoração sejam testados pela primeira vez para a tuberculose, possibilitando a deteção da doença entre pessoas com risco acrescido de morrer desta doença, explica em comunicado.

Pub

"Estas novas ferramentas podem ser verdadeiramente transformadoras no combate à tuberculose, ao aproximarem um diagnóstico rápido e preciso das pessoas, salvando vidas, travando a transmissão e reduzindo os custos", afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado no comunicado.

"A OMS apela a todos os países para que ampliem o acesso a estas e outras ferramentas, para que todas as pessoas com tuberculose possam ser identificadas e tratadas atempadamente", acrescenta.

Além da tuberculose, estes dispositivos têm o potencial de testar outras doenças, como o VIH, a varíola dos macacos e o HPV (Papilomavírus Humano), tornando o diagnóstico mais centrado no doente, equitativo e alinhado com serviços do tipo "balcão único" para doenças emergentes e em circulação.

Pub

Segundo a autoridade de saúde, a adoção de ferramentas de diagnóstico rápido tem sido um desafio em muitos países, em parte devido aos custos elevados e à dependência do transporte de amostras para a realização de testes em laboratórios centralizados.

"A ampliação de soluções comprovadas, incluindo testes de urina realizados no local de atendimento para pessoas que vivem com VIH e testes de baixa ou média complexidade realizados em locais próximos ao local de atendimento, para pessoas com e sem VIH, pode, em conjunto, ser utilizada para colmatar as lacunas de diagnóstico em todos os níveis do sistema de saúde", realça.

A OMS defende que estes esforços podem ajudar a avançar no sentido de atingir as metas globais de acesso universal aos testes de tuberculose e de resistência aos medicamentos, reduzir os atrasos no início do tratamento e conter a transmissão.

Pub

"Embora as novas ferramentas de diagnóstico representem um passo crucial em frente, acabar com a tuberculose exigirá um investimento sustentado em investigação e inovação", defende.

A tuberculose continua a ser uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo. Todos os dias, mais de 3.300 pessoas morrem de tuberculose e mais de 29.000 adoecem com esta doença evitável e curável.

"Os esforços globais para combater a tuberculose salvaram cerca de 83 milhões de vidas desde 2000. No entanto, os cortes no financiamento global da saúde ameaçam reverter estes ganhos", alerta a OMS.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar