Onda de calor em Portugal: Bastonário da Ordem dos Médicos diz que a mensagem é de tranquilidade
"Várias instituições nomeadamente as de saúde têm os seus planos de contingência", assegura Carlos Cortes.
A Ordem dos Médicos (OM) reuniu-se na sexta-feira com todos os diretores clínicos do país devido à onda de calor que está a afetar Portugal Continental e a mensagem que foi transmitida é de tranquilidade.
"As várias instituições nomeadamente as de saúde têm os seus planos de contingência, têm reforço, tem previsibilidade para este período e, nomeadamente aqui [Castelo Branco] e também de outros locais do país foi-nos reportado que estão preparados. E estão preparados não propriamente este ano e neste momento. Já conhecem o impacto do calor neste período do ano", afirmou o bastonário da OM.
Carlos Cortes falava, este sábado, em conferência de imprensa, após visitar o Centro de Atendimento Complementar de Proença-a-Nova e o Hospital Amato Lusitano (HAL) de Castelo Branco para apurar no terreno o impacto da onda de calor na atividade clínica e avaliar a resposta e as necessidades e medidas prioritárias para reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Este responsável informou que se reuniu na sexta-feira com todos os diretores clínicos do país para abordar a questão da onda de calor e os cuidados a desenvolver: "A mensagem que me foi transmitida é uma mensagem de tranquilidade".
"Aqui na urgência [do Hospital Amato Lusitano], até este momento, não há propriamente um aumento de episódios de urgência relacionados com o calor", disse.
O bastonário deixou alguns alertas, sobretudo relacionados com os lares de idosos e pessoas que se encontram isoladas.
"As pessoas isoladas, sobretudo idosos, não só nas aldeias mas também nas grandes cidades e muitas vezes essas pessoas, não tem rede de apoio. Muitas vezes, só tardiamente em situações graves de descompensação é que recorrem aos cuidados de saúde".
A segunda mensagem que também preocupa a OM está relacionada com os lares.
"Os lares têm de ter refrigeração, ar condicionado e cuidados adicionais e sabemos que, infelizmente, muitos não têm enfermeiros e médicos em permanência e tem de haver aqui uma atenção especial e redobrada", vincou.
Carlos Cortes deixou ainda uma mensagem de reconhecimento e de gratidão a todos os profissionais nomeadamente os de saúde, sobretudo dirigida à área da saúde pública, "onde tem sido feito um extraordinário trabalho". "Tem sido extremamente ativa e determinante para o êxito da resposta que estamos a dar".
Questionado sobre o número de mortes anuais devido ao calor, o bastonário foi taxativo em afirmar que se a OM percebesse que as coisas não eram feitas de forma adequada ele próprio estaria a apontar as falhas.
"Mas também entendemos que é o momento de estarmos unidos e no final a OM fará um balanço", frisou.
Este responsável disse ainda que é necessário parar de fazer planos de contingência e sazonais diferentes todos os anos.
"Obviamente, perante as mudanças que existem podem ser atualizados num ou outro ponto, mas temos de ter aqui uma base constante e permanente", disse.
Carlos Cortes deixou ainda uma sugestão de antecipação.
"Não podemos estar no início de julho a elaborar um plano sazonal. O plano já deveria ter sido preparado há mais tempo para que as Unidades Locais de Saúde (ULS), com tempo, pudessem adquirir os recursos de que necessitam para cumprir esse plano. Felizmente muitas ULS e esta [Castelo Branco] é um exemplo, anteciparam-se e programaram", sustentou.
Relativamente aos recursos humanos, considerou que é o "grande problema" do SNS e não só nesta altura do ano, em que a falta de recursos se intensifica devido ao período de férias.
"Cabe ao Ministério da Saúde, anual e permanentemente, construir os mecanismos adequados para o SNS. A OM entregou um documento de 25 medidas para a atratividade do SNS. Enquanto isso não for levado a sério e não houver medidas concretas para atrair os médicos e outros profissionais de saúde para o SNS vamos ter sempre estas dificuldades", vincou.
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