Oposição exige ao ministro soluções para igualdade de acesso ao ensino superior
Fernando Alexandre participou na reunião da Comissão Permanente do Parlamento, com o Chega e a IL a acusar PSD e PS de se aliarem para proteger o ministro da Administração Interna com o debate.
Os partidos da oposição responsabilizaram esta segunda-feira o ministro da Educação pelos problemas com a correção dos exames nacionais e exigiram medidas que garantam a igualdade entre alunos para que nenhum seja prejudicado no acesso ao ensino superior.
Fernando Alexandre participou na reunião da Comissão Permanente do Parlamento, com o Chega e a IL a acusar PSD e PS de se aliarem para proteger o ministro da Administração Interna com este debate com o governante responsável pela educação.
"A ideia fundamental de que dois partidos do sistema e do regime estão com medo e querem proteger o ministro Luís Neves, mesmo que isso signifique atirar para a fogueira o ministro Fernando Alexandre", acusou o presidente do Chega, André Ventura.
O deputado do PS Pedro Delgado Alves refutou estas críticas e assegurou que os socialistas deram "consentimento à vinda do MAI do pedido da IL e do Chega".
"Não podendo obrigar nenhum grupo parlamentar a vergar-se e aceitar a unanimidade, adaptámos o debate desta segunda-feira, precisamente porque mais vale ter aqui o ministro do que não ter de todo. Se o Chega tivesse feito o mesmo, tínhamos aqui o ministro Luís Neves", assegurou.
Concretamente sobre o debate da educação, pelo PS, Porfírio Silva considerou que "a responsabilidade do Governo é agir para garantir equidade" sem prejudicar os alunos.
o PS assegurou que o partido não é contra reformas, mas sim "contra a imprudência e impreparação para as implementar".
André Ventura lamentou que o ministro tenha optado "por culpar as famílias e os professores" em vez de assumir "a sua própria responsabilidade".
A IL enfatizou que "os erros têm que ser corrigidos", questionado quem manda no ministério.
"Não pode haver um único aluno que seja prejudicado", apontou a deputada da IL Angélique Da Teresa que perguntou a Fernando Alexandre se "foi enganado ou se deixou enganar?".
Patrícia Gonçalves, do Livre, defendeu que este processo resultou de uma "cadeia de falhas de decisão, conceção, planeamento, execução, controlo, integridade e reparação".
Para o Livre, têm sido os profissionais das escolas e os alunos a carregar "este caos às costas", questionando se os avaliadores vão mesmo receber horas extra como prometido.
Paula Santos, do PCP, acusou o ministro de "apontar o dedo a todos para não ter que assumir as suas responsabilidades" e criticou a "enorme irresponsabilidade que está a prejudicar os alunos".
Pelo BE, Fabian Figueiredo contabilizou "37 vezes em que o ministro garantiu uma coisa e aconteceu exatamente o contrário" e considerou que "isto não é reforma nenhuma", mas sim "instalar o caos na educação", com alterações que não têm "nada de moderno" porque "a tecnologia é de 1993".
Filipe Sousa, do JPP, questionou que medidas concretas vai o Governo implementar para garantir qe nenhum aluno é prejudicado.
Inês de Sousa Real, do PAN, acusou o Governo de fazer de conta que "está tudo bem esquecendo-se da realidade do país que para os alunos está tudo mal".
Tal como o esperado, PSD e CDS-PP, partidos que suportam o Governo, ficaram isolados na defesa do ministro da Educação.
Pelo PSD, o deputado Pedro Alves acusou "o PS e a oposição" de dramatizar a situação dos exames e "explorar mediaticamente" as dificuldades e contrapôs que a "educação não precisa de alarmismo, precisa de rigor, transparência, confiança".
Pedro Alves considerou que o ministro da Educação foi chamado ao parlamento não porque faltem respostas, mas sim "porque o PS e a oposição recusam aceitar os factos que desmentiram a narrativa do caos que procuraram construir".
Já Paulo Núncio, do CDS-PP, afirmou que "um a um" os problemas "estão a ser resolvidos" e que "nenhum aluno será prejudicado", acusando a oposição de "falta compreensão" e defendendo que "pior cego é aquele que não quer ver".
"Não se iludam porque esta posição é puro oportunismo e hipocrisia politica. À direita estão os conservadores reformistas, à esquerda os retrógrados imobilistas", afirmou.
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