Os pesadelos das cantinas dos lares para idosos
Há pratos intragáveis, cozinhas imundas e pragas.
Por fora é um edifício de luxo, por dentro reserva umas quantas surpresas gastronómicas - chega-se a elas pelo fundo do corredor das traseiras. A fachada confunde-se com um hotel de charme, imaculadamente branca e cheia de janelas. O requinte mantém-se nos quartos modernos e confortáveis, nas salas de estar a perder de vista, piscina, ginásio e zonas verdes. Mas o cenário de sonho esconde um pesadelo - um segredo bem guardado no piso inferior, um espaço exíguo com bancadas sujas e um exaustor carregado de gordura.
Esta é a história de um bas-fond improvável: a cozinha de um lar de terceira idade a funcionar no Porto e criado para o segmento alto, onde as mensalidades cobradas aos mais de 100 utentes (muitos em fase terminal e sob cuidados continuados) oscilam entre os 1.800 e os 4.000 euros. Uma investigação da revista SÁBADO revela que os preços são inversamente proporcionais ao respeito pelos padrões de higiene e de segurança alimentar que a lei exige. Trata-se de um entre muitos casos críticos neste sector: são as cantinas para idosos institucionalizados - e não as das escolas - que lideram as irregularidades.
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