Os receios e as doenças do clima em debate a partir de hoje no congresso Saúde e Ambiente

Congresso decorre durante dois dias e junta mais de 100 especialistas em 20 sessões.

09 de abril de 2026 às 07:27
Fundação Calouste Gulbenkian Foto: Sofia Costa/Correio da Manhã
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Cerca de 2 mil participantes de 120 profissões diferentes debatem a partir desta quinta-feira em Lisboa e durante dois dias temas relacionados com a saúde e ambiente, desde o medo das alterações climáticas às doenças do clima.

O 2.º Congresso Nacional de Saúde e Ambiente, na Fundação Calouste Gulbenkian, é organizado pelo Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), que em comunicado adianta que no encontro se debaterão dados como o de que "37% dos jovens portugueses hesitam em ter filhos devido às alterações climáticas".

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Outro tema que será discutido, acrescenta, será o da presença de 21% de potenciais carcinogéneos mamários nos materiais que entram em contacto com os alimentos.

O congresso, segundo o CPSA, envolve mais de 100 especialistas em 20 sessões, com temas como o impacto das alterações ambientais na saúde, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, é responsável por uma em cada quatro mortes a nível global.

Doenças transmitidas por alimentos, vírus com potencial pandémico, a prevalência na Europa de doenças anteriormente exclusivas dos trópicos, ou doenças provocadas pelos plásticos são outros temas em debate, bem como a pegada ambiental do setor da saúde, que representa cerca de 5% das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal.

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No congresso de dois dias os participantes vão também discutir a necessidade de se melhorar a literacia do público e a educação dos profissionais em relação ao impacto das alterações climáticas na saúde, as oportunidades da economia circular na saúde ou o papel das cidades na promoção da saúde e do ambiente, entre outros temas.

As responsabilidades dos profissionais da saúde, das profissões em que a sociedade mais confia, que conhecem a forma como as alterações climáticas já estão a comprometer a saúde das pessoas, serão também tratadas.

"Será ainda defendida a necessidade urgente de integrar saúde e ambiente nas políticas públicas. As políticas de saúde têm ignorado o ambiente; as políticas de ambiente têm ignorado a saúde. Para metade dos portugueses, a saúde constitui a principal prioridade, enquanto as alterações climáticas ocupam apenas o 10.º lugar. É crucial comunicar que saúde e ambiente são indissociáveis", diz o CPSA no comunicado.

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Durante o congresso vai decorrer a iniciativa "CircularMed", uma mostra de soluções inovadoras de economia circular na área da saúde, uma delas, por exemplo, a transformação da urina humana em adubo.

E na sessão de abertura será atribuído o Prémio Nacional da Saúde e Ambiente ao professor João Queiroz e Melo, cardiologista, fundador e antigo presidente do Instituto do Coração.

O congresso é o maior fórum nacional dedicado à relação entre saúde e ambiente.

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O CPSA foi fundado em outubro de 2022 para mobilizar uma rede de organizações ligadas à saúde com o objetivo, entre outros, de minimizar o impacto das alterações ambientais na saúde. Integra atualmente 105 organizações.

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