‘Padre dos pobres’ constrói aldeia para idosos

A obra demorou 11 anos a concluir. “Hoje, a aldeia integra 26 casas, centro médico e de enfermagem, fisioterapia, lavandaria, auditório, salão de festas, bar, serviços centrais e espaços dedicados ao exercício físico”, conta o padre Domingos Costa.

09 de agosto de 2026 às 01:30
Domingos Monteiro da Costa, de 86 anos, é conhecido como o "padre dos pobres" Foto: CMTV
A aldeia construída pelo padre Domingos Costa conta com todo o tipo de valências Foto: Direitos Reservados
A aldeia construída pelo padre Domingos Costa conta com todo o tipo de valências Foto: Direitos Reservados

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Há quem lhe chame o ‘padre dos pobres’. Aos 86 anos, Domingos Monteiro da Costa prefere falar de uma missão que acredita ter sido dada por Deus. Em São José de Alcalar, na Mexilhoeira Grande, no Algarve, ergueu um lar de idosos, mas rejeita essa designação. Para ele, é uma aldeia, um lugar onde “as portas permanecem abertas, não há horários rígidos para visitas e cada residente continua a viver com a maior autonomia possível”.

Nascido em Celorico de Basto, cresceu numa família humilde, ligada ao trabalho da terra. Foi acólito dos dez aos 12 anos e entrou para o seminário de jesuítas, onde se destacou pelo mérito académico.

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“Fui o único aluno no quadro de honra. Tive três vintes e três dezoitos”, recorda, com orgulho. Depois de viver em França, na Alemanha e em Lisboa, fixou-se no Algarve aos 35 anos. Foi ali que nasceu o projeto que viria a marcar a sua vida. Sem dinheiro suficiente, decidiu avançar para a construção de uma aldeia destinada a idosos.

“Corri o risco de ser despedido da Companhia de Jesus, mas sentia que Deus me chamava para fazer isto”, afirma. Pediu apenas um sinal: um terreno. Estabeleceu até um prazo e o terreno apareceu. Tinha cerca de 150 mil contos, o equivalente, hoje, a 750 mil euros, mas precisava de cerca de 2 milhões e meio de euros, para concretizar o projeto. Confiou na solidariedade de quem o conhecia e avançou.

A obra demorou 11 anos a concluir. “Hoje, a aldeia integra 26 casas, centro médico e de enfermagem, fisioterapia, lavandaria, auditório, salão de festas, bar, serviços centrais e espaços dedicados ao exercício físico.”

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Mais do que as infraestruturas, o que distingue o espaço é a filosofia. As portas das casas permanecem abertas, não existem limitações rígidas às visitas e a liberdade dos residentes nunca foi negociável. “Ninguém acreditava que esta aldeia pudesse existir”, diz.

“Naturalmente revolucionário”

Ao longo da vida, o padre Domingos Costa recusou acomodar-se ao papel tradicional de sacerdote. Contestou desigualdades dentro da própria Igreja e envolveu-se na defesa dos mais pobres, o que lhe trouxe conflitos. “Fui naturalmente revolucionário. Temos de ter razões para termos razão”, afirma. Conta que foi ameaçado, viu a igreja ser assaltada várias vezes e enfrentou um processo em tribunal, por se envolver na política.

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Pormenores

Missão

A vocação para padre nunca vacilou, embora dentro de casa nem todos compreendessem a escolha. O pai sonhava vê-lo a trabalhar no campo ou ao serviço de um lavrador e chegou a cortar relações com o filho durante algum tempo. “Mais tarde chorou à minha frente e pediu-me desculpa”, confessou ao CM o padre Domingos Costa.

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Na CMTV hoje às 15h00

Este domingo não perca a história da criação da ‘Aldeia para idosos’ e do padre Domingos Costa, às 15h00, no ‘Notícias CM’, na sua CMTV. Mais um episódio da rubrica ‘Histórias de Superação’.

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