“Pagamos os subsídios” (COM VÍDEO)
Artur Vaz, administrador do hospital Beatriz Ângelo (Loures)
Correio da Manhã - Conseguiu preencher o quadro de médicos e enfermeiros?
Artur Vaz- Sim. A entrada de profissionais é faseada de acordo com o cronograma do hospital, que não vai ser inaugurado dia 19 de Janeiro. Vai começar a funcionar dia 19 de Janeiro. A inauguração vai ser algures entre 22 e 27 de Fevereiro. De qualquer maneira temos os profissionais todos de que necessitamos para abrir o hospital e funcionar mais ou menos ate fim de Março. Entretanto estão a decorrer outras contratações.
- Mas todas as especialidades vão já funcionar em pleno?
-No dia 19 de Janeiro abre a consulta externa de pediatria e de dermatologia e depois vão abrindo paulatinamente todas as outras especialidades em consulta externa e o internamento, etc. No dia 27 de Fevereiro, o Hospital está completamente pronto para responder a todas as necessidades da população em todas as especialidades.
- E as urgências vão funcionar 24 horas?
- Claro que sim.
-A equipa das urgências também já está completa?
-Claro. Estão a fazer formação em triagem de Manchester, em atitude comportamental, em sistemas de informação e é por isso que começaram mais cedo.
-É conhecido que houve dificuldades em contratar profissionais e que os administradores de outros hospitais, nomeadamente os públicos, dificultaram o processo. Como comenta?
-Compreendo perfeitamente. Se estivesse no lugar deles faria o mesmo e também me comportaria da mesma maneira. O que se passa é que nós vamos recrutar as pessoas específicas que queremos e que entendemos que são as melhores apostas para trabalhar aqui. Portanto, é natural que alguns dos hospitais não gostem que alguns dos seus bons elementos saiam.
- O contrato obrigava a uma contratação de 80 a 90% dos profissionais nos hospitais públicos. Conseguiu cumprir?
-Conseguimos preencher em termos daquilo que são os resultados finais para médicos e enfermeiros, mas não conseguimos ainda noutras categorias profissionais.
- Como vão funcionar os acessos dos doentes ao Hospital?
-Já temos sete carreiras de transporte público que servem o hospital. Em termos de acessibilidade rodoviária para quem se desloca em carro próprio é muito fácil chegar aqui ao hospital. E acreditamos que, com o aparecimento da procura, os transportes públicos também se desenvolvam.
-O estacionamento vai ser gratuito?
-Não. O estacionamento não é operado por nós. O hospital, o edifício e o espaço exterior não pertencem à entidade que gere o hospital estabelecimento. O parqueamento público é pago em parte. O parque do serviço de urgência é gratuito, mas há um parque que serve as consultas externas fundamentalmente e que será pago e que é gerido pela entidade que construiu o hospital.
- Quanto vai receber do Serviço Nacional de Saúde (SNS)?
- Isso também eu gostava de saber. Está definida a produção que foi comprada pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) para 2012. Representa à volta de 54 milhões de euros. Não corresponde, todavia, ao que são as nossas expectativas de produção e portanto pode haver um crescimento desse valor. Tanto mais que não sabemos exactamente como vai ser a utilização do serviço de urgência.
- Que concelhos estão na área de influência do Hospital?
-Vamos atender as pessoas do concelho de Odivelas e Sobral de Monte Agraço, quatro freguesias do concelho de Mafra e algumas freguesias do concelho de Loures.
- Espera obter lucro já este ano?
- O lucro a mim não me preocupa no primeiro ano. No primeiro ano de arranque de uma instituição desta dimensão não é esperado. Mas esperamos ter uma gestão muito equilibrada.
- Pagou salários superiores aos do sector público?
-É uma matéria delicada. Em algumas matérias tivemos de ser concorrenciais com o sector público, noutras não, porque o mercado de trabalho não exige. Achamos que estamos a pagar justamente aos profissionais que vêm trabalhar connosco e que nesta altura temos uma diferença relativamente ao Estado. Sendo uma empresa privada pagamos o subsídio de férias e de Natal, e isso no fim do ano faz diferença.
-Sendo uma parceria público-privada, acha que os doentes podem desconfiar?
-Aos doentes o que interessa é quem os trata e se os tratam bem. Se é um hospital público ou uma empresa privada não faz diferença.
-Contratou médicos Reformados?
-Fui buscar especialistas em áreas em que há muito pouca oferta, como por exemplo anatomia patológica e em especialidades laboratoriais, fundamentalmente. Os médicos reformados são uma excelente fonte de trabalho. Têm uma experiência brutal que nós estamos a desperdiçar e que o Estado está a desperdiçar com as leis que cria.
Sendo o hospital especializado em obstetrícia, já tem uma estimativa para o número de partos?
- Gostávamos de chegar aos 2500 partos. Mas não depende de nós. Depende dos pais, depende dos casais jovens aqui da nossa área de influência que têm de ser produtivos nessa matéria. Não sei se com as actuais políticas de protecção da família e de corte da despesa pública isso será muito incentivador do crescimento das famílias. Acreditamos que poderemos chegar aos 2500 partos numa situação económica mais estabilizada.
-Quantos funcionários tem o hospital?
-Neste momento somos 600, daqui a seis meses seremos 1200.
Médicos temos 190. Vão passar a 280 rapidamente. Enfermeiros temos 200, que vão passar a 400.
PERFIL
Artur Vaz tem 56 anos e é natural do Porto. É licenciado em Direito e tem uma pós-graduação em administração hospitalar. Já inaugurou várias unidades de Saúde. Foi presidente do conselho de administração do Hospital Fernando da Fonseca, na Amadora, e administrador executivo do Hospital da Luz.
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