Pais querem aulas mais cedo e com mais pausas
Confap quer um encurtamento da duração da pausa letiva que acontece no verão, as chamadas férias grandes, e a introdução de mais interrupções durante o ano letivo, como sucede noutros países do Norte da Europa. Diretores estão contra.
O ano letivo em Portugal arranca a meio de setembro, mas noutros países europeus, situados sobretudo no Norte do continente, as aulas já começaram há muito tempo durante o mês de agosto. A Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) quer que Portugal siga o exemplo desses países e as aulas arranquem no início de setembro, havendo depois mais pausas letivas ao longo do ano, mas os diretores rejeitam a proposta.
“Poderíamos antecipar a abertura das escolas no início do ano letivo, não propriamente para os alunos estarem fechados dentro da sala de aula, mas para haver tempo para solidificar aprendizagens, fazerem atividades ou até visitas de estudo”, afirmou à TSF Mariana Carvalho, presidente da Confap, acrescentando: “Se nós pudéssemos olhar para o calendário e darmos mais pausas letivas ao longo do ano, por um lado, os alunos e professores não chegariam a junho tão cansados, e, por outro lado, haveria também uma melhor conciliação entre as famílias e as escolas.” A dirigente lembra que muitas famílias não têm ninguém com quem deixar as crianças. “Quando chegam ao período de férias, as soluções que as famílias têm, quando existem, são extremamente caras, como os ATL ou os campos de férias, e, por isso, existe um grande período de tempo em que as famílias não têm onde deixar as crianças”, disse.
A ideia não é, contudo, bem recebida pelos diretores escolares. “O atual calendário escolar está bem delineado para as características do nosso país e outros do Sul da Europa, onde o tempo quente se prolonga pelo mês de setembro”, afirmou ao CM Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep). “O problema dos pais é onde deixar os filhos, mas aí as câmaras têm um papel muito importante para proporcionar atividades, que não aulas, com os técnicos que têm ao dispor, as quais até se podem realizar nas próprias escolas. Em autarquias como Vila Nova de Gaia, Cascais e Oeiras isso já acontece.”
Filinto Lima nota ainda que em agrupamentos como o que ele dirige, D. Pedro I, em Vila Nova de Gaia, onde o calendário está dividido em dois semestres, “já existem mais paragens ao longo do ano letivo, como acontecem noutros países do Norte da Europa, como é o caso da Alemanha”.
E TAMBÉM
Uniformizar
O representante dos diretores defende uma mudança diferente da que é proposta pela Confap, e que passa por todos os anos de escolaridade terminarem o ano letivo ao mesmo tempo. “Devia ser uniformizado o calendário, com o pré-escolar e o 1.º ciclo a terminarem o ano letivo mais cedo, ao mesmo tempo dos outros ciclos.”
Diferenças
No 9.º, 11.º e 12.º o fim das aulas foi a 5 de junho, os restantes anos do 2.º e 3.º ciclo e secundário acabaram dia 12 e o pré-escolar e o 1.º ciclo só no dia 30.
Dias sem aprender
Filinto Lima defende que as semanas a mais de aulas que o pré-escolar e 1.º ciclo têm não fazem sentido. “Os professores e educadores admitem que naqueles últimos dias a mais já não se realizam aprendizagens, pelo que deviam acabar.”
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt