Pedro Emanuel Paiva: "A resiliência e a superação são sempre o caminho"

Provedor dos Animais de Lisboa mostra, em novo livro, que os animais são mais do que nossos amigos. São os nossos anjos da guarda.

15 de julho de 2026 às 17:52
Pedro Emanuel Paiva, Provedor Municipal dos Animais de Lisboa Foto: Direitos Reservados
Pedro Emanuel Paiva é o Provedor Municipal dos Animais de Lisboa Foto: Direitos Reservados

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Pedro Emanuel Paiva tem um livro novo no mercado. ‘Bola Pra Frente (editora Primeiro Capítulo) reúne histórias, qual delas a mais comovente, sobre a forma como é possível ultrapassar limitações físicas e mentais, recuperar de traumas antigos e ganhar autonomia e maior capacidade de enfrentar o dia a dia com a ajuda de amigos de quatro patas. O Provedor Municipal dos Animais de Lisboa (que acaba de ser reconduzido no cargo) tem muito a dizer neste capítulo.

 

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- A ideia para este livro é recente ou antes um projeto antigo?

- A ideia acompanha-me há bastante tempo e tem a ver com a minha experiência profissional. Desde 2010 que estou envolvido em projetos de inclusão de animais em contextos terapêuticos e sei que é possível usar os cães para promover melhorias reais e notórias em pessoas com determinado tipo de doenças ou que vivem com dificuldades específicas. À medida que fui tomando conhecimento destas situações, que fui verificando como os animais podem ajudar, à medida que fui testemunhando estas histórias de superação, de esperança, senti que era pertinente partilhar estas histórias. Numa sociedade que valoriza cada vez mais a competição, a velocidade, esquecemo-nos que existe quem precise de algo mais. De mais tempo, de mais atenção. De um apoio extra, que os animais podem proporcionar.

- Foi uma revelação ver as pessoas melhorarem graças à intervenção dos animais, ou apenas a confirmação do que já sabia intuitivamente?

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- O coração já mo tinha provado, até pela relação que eu próprio tive com os animais, e muito especialmente com o Tico, o pastor alemão que me acompanhou por mais de dez anos e que me salvou a vida. O meu coração já sabia do benefício que existe, para as pessoas, da relação próxima com os animais. Quando me envolvi nestes projetos com fins terapêuticos, fi-lo para que outros pudessem experimentar aquilo que eu já tinha experimentado. Levar animais a escolas de ensino especial, centros de dia, lares da terceira idade, tribunais, à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens... Sabia que poderia assistir a milagres. Mas não é um caminho fácil de demonstrar e precisamos de ter evidências no nosso lado.

- Daí os especialistas que participam no seu livro, e que o enriquecem com a explicação científica para as observações empíricas?

- Sim, é importante trazer para esta discussão a visão académica e científica em torno deste tema. Até porque há sempre um conjunto de especialistas envolvidos nestes processos. Por exemplo, uma criança que tem de ir a tribunal, porque tem uma relação difícil com um dos progenitores… Uma situação dessa natureza tem de envolver um juiz, psicólogos clínicos e forenses, professores e, muitas vezes, até assistentes sociais. O animal é mais um elemento, mais um jogador neste xadrez.

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- Os especialistas são unânimes em reconhecer que a inclusão de animais na prática terapêutica é benéfica?

- Sim. Mas é importante que o digam e que sejam ouvidos. Há muitos estudos sobre este tema. Cada vez mais. É preciso divulgá-los e fazer com que cheguem aos responsáveis, aos decisores. Há muito para fazer neste capítulo. Há medidas públicas que é urgente tomar. Esta atividade tem de ser reconhecida, profissionalizada. Por exemplo, quando os professores incluem, nas medidas extra-curriculares, a terapia com animais, isso é muitas vezes visto com desconfiança. Estes estudos, estes depoimentos dos especialistas ajudam a que haja uma aceitação deste tipo de proposta terapêutica.

- É uma das finalidades que espera alcançar com este livro?

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- Espero mudanças, sim. Que se perceba que os animais conseguem transformar as pessoas, mas são as pessoas que mudam o mundo. A grande mudança que pretendo com este trabalho é que se olhe para esta relação com olhos mais atentos e disponíveis. E que através deste livro, e do contributo dos especialistas que nele escrevem, que se possa influenciar quem toma decisões. Para que a inclusão dos animais nos mais diversos contextos seja, cada vez mais, uma realidade.

- Qual história o comoveu mais?

- Todas me comovem. Este livro também revela um lado meu mais frágil e vulnerável. Mas a superação das fragilidades é aquilo que nos torna melhores seres humanos. Todas as histórias aqui reunidas, todas as pessoas, contribuem para aquilo que sou hoje. Aprendi muito com elas. Sobretudo que a resiliência e a superação são sempre o caminho.

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