Pilotos da TAP satisfeitos com resultados e preocupados com eventual entrada da Lufthansa

Na corrida à reprivatização da TAP, estão a Air France-KLM e a Lufthansa, depois de a IAG, dona da Iberia e da British Airways, não ter avançado com uma proposta.

25 de maio de 2026 às 12:10
TAP Foto: Direitos Reservados
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O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) afirmou esta segunda-feira ver "com bons olhos" a recuperação dos resultados da TAP e admitiu preocupação com o impacto laboral de uma eventual entrada da Lufthansa no capital da companhia.

Questionado pela Lusa durante a ConfCAQ 2026 - Conference on Cabin Air Quality, Hélder Santinhos disse ver os resultados trimestrais da TAP esta segunda-feira divulgados "com bons olhos".

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Os prejuízos da TAP Air Portugal recuaram para 39,9 milhões de euros no 1.º trimestre do ano, uma recuperação que a companhia aérea atribui ao papel de mercados como a América do Sul e América do Norte.

Em comunicado, a companhia aérea portuguesa destacou o crescimento de 11% das receitas operacionais, para 914,4 milhões de euros, face ao período homólogo, impulsionadas sobretudo pelo aumento das receitas de passagens e pela melhoria das receitas unitárias, num contexto de crescimento da capacidade (+3,9%).

"O que queremos é que as empresas tenham o maior sucesso possível", afirmou o dirigente sindical, acrescentando que o SPAC sempre defendeu que a TAP é uma empresa rentável.

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Hélder Santinhos referiu que os problemas que a companhia aérea portuguesa tem tido no passado derivaram de decisões políticas e da covid-19, que "felizmente teve algumas coisas boas", referindo-se à alienação do negócio de manutenção da TAP no Brasil.

"Com esta âncora fora não me surpreende nada que os resultados da TAP sejam bons", afirmou.

Sobre o impacto destes resultados no processo de privatização, o presidente do SPA referiu que as empresas interessadas pensam a nível estratégico, pelo que "não terão grande influência".

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"Eles [Lufthansa e Air France-KLM] veem a importância de Portugal, a estrutura de custos da empresa, a nossa maneira de trabalhar. Temos profissionais muito bons, tanto pilotos como manutenção", referiu.

Para Helder Santinhos "ambas as empresas estão muito comprometidas com a privatização e vão apresentar propostas independentemente dos resultados".

Relativamente ao interesse de ambas as companhias, o presidente do sindicato preferiu não se pronunciar sobre uma preferida, dizendo estar "muito preocupado" com a forma como a Lufthansa encara as relações laborais.

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Numa carta enviada ao ministro das Infraestruturas e Habitação, em abril, o SPAC afirmou que é favorável à reprivatização da TAP, mas apenas se os potenciais compradores mostrarem "idoneidade sólida" nos planos técnico, financeiro e laboral.

No caso da Lufthansa, o sindicato disse estar preocupado com o relacionamento da companhia com o VC Cockpit, principal sindicato dos pilotos alemães, e refere "atitudes de desconsideração por acordos em vigor" e "táticas anti-sindicais pouco éticas que, a serem importadas para a TAP, comprometeriam gravemente a paz social-laboral e a eficiência do Hub de Lisboa".

"Isto leva-nos a pensar que existe uma estratégia para neutralizar o poder dos sindicatos, já levamos essa preocupação ao Governo, porque a última coisa que a TAP precisa será da agitação laboral num período de pós-privatização", referiu.

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Helder Santinhos disse não ter recebido qualquer reposta por parte do executivo de Luís Montenegro.

Na corrida à reprivatização da TAP, estão a Air France-KLM e a Lufthansa, depois de a IAG, dona da Iberia e da British Airways, não ter avançado com uma proposta.

Nesta terceira fase do concurso, os interessados têm de entregar as propostas vinculativas até julho.

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O Governo quer alienar até 49,9% do capital da companhia, dos quais 44,9% a um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores, num processo em que serão tidos em conta o preço, o plano industrial, a conectividade e a capacidade financeira do comprador.

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