Pinguim-imperador e lobo-marinho-antártico ameaçados pelas alterações climáticas

Situação do pinguim-imperador é particularmente preocupante, segundo um estudo de imagens de satélite, que indicou um declínio de 10% na população entre 2009 e 2018.

09 de abril de 2026 às 14:27
Antártico Foto: Getty Images
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O degelo prematuro na Antártida e o aumento da temperatura dos oceanos estão a pôr em risco a sobrevivência do pinguim-imperador e do lobo-marinho-antártico, duas espécies emblemáticas da região, indicou esta quarta-feira a agência noticiosa espanhola EFE.

As duas espécies foram classificadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como estando "em perigo", ou seja, em risco elevado de extinção na natureza, numa atualização da sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.

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A atualização foi divulgada a um mês da Reunião Consultiva do Tratado da Antártida (ATCM, na sigla em inglês), que vai decorrer de 11 a 21 de maio em Hiroshima, no Japão.

A situação do pinguim-imperador é particularmente preocupante, segundo um estudo de imagens de satélite, que indicou um declínio de 10% na sua população entre 2009 e 2018, o equivalente a mais de 20.000 adultos.

As projeções apontam para que a população de pinguins-imperador se reduza a metade até à década de 2080 devido às alterações no gelo marinho, cujo declínio atingiu um nível recorde em 2016.

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Segundo a UICN, os pinguins-imperador precisam de gelo fixo, preso à costa, ao fundo do mar ou a icebergues encalhados, para as suas crias e durante o período de muda das penas, essencial para manterem a impermeabilidade.

Os cientistas já registaram, por exemplo, o colapso de uma colónia reprodutora no mar antes de as crias poderem nadar, devido ao degelo prematuro, refere a EFE.

Um estudo divulgado no passado mês de janeiro que analisa as mudanças no período de reprodução dos pinguins da Antártida entre 2012 e 2022 indica que estes anteciparam a sua época de reprodução em média duas semanas, provavelmente devido ao aquecimento global.

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Os cientistas consideram que estas alterações têm consequências significativas, pois ameaçam interromper o acesso dos pinguins ao alimento e aumentar a competição entre as diferentes espécies que coexistem na região antártica.

A UICN assinalou que "os modelos que têm em conta vários cenários climáticos futuros mostram que, sem reduções rápidas e drásticas nas emissões de gases com efeito de estufa, as populações de pinguins-imperador diminuirão rapidamente durante este século".

A situação também afeta os lobos-marinhos-antárticos, cuja população diminuiu mais de 50% entre 1999 e 2025, passando de aproximadamente 2,19 milhões de indivíduos adultos para 944 mil, o que justifica a mudança de classificação na Lista Vermelha de "pouco preocupante" para "em perigo".

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O declínio desta espécie de foca está ligado ao aumento da temperatura dos oceanos e à redução do gelo marinho, que levam a que a sua principal fonte de alimento, o krill, migre para águas mais profundas em busca de temperaturas mais frias.

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