Plano Municipal de Recuperação de Leiria vai até ao fim do mandato autárquico
Bombeiros Sapadores de Leiria explicaram que a fase 1, designada de humanitária, emergência e operacional, tem a duração de quatro meses, até maio.
O Plano Municipal de Recuperação de Leiria na sequência da depressão Kristin, que há três semanas atingiu o concelho, vai até ao fim do mandato autárquico, anunciou esta quarta-feira o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes.
Em conferência de imprensa, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações municipal, Gonçalo Lopes explicou que a fase 1, designada de humanitária, emergência e operacional, tem a duração de quatro meses, até maio.
"São quatro meses para repor as questões operacionais", declarou.
Segue-se a fase de recuperação e resiliência a partir de junho e com duração de um ano, "uma operação muito exigente", que passa por garantir segurança nos equipamentos.
"No fundo, é tentar aproximar" à situação prévia à depressão Kristin, que provocou avultados danos no concelho em 28 de janeiro, esclareceu.
Segue-se a fase 3, intitulada modernização estruturante, correspondente ao resto do mandato, que termina no final de 2029, e que "exige mais tempo", dado tratar-se de construção nova.
"Temos alguns casos onde temos de fazer de raiz coisas e que não vamos conseguir fazer num ano", declarou o autarca, explicando que neste trabalho de modernização estruturante o município precisa de, "urgentemente, definir quais os envelopes financeiros".
Gonçalo Lopes garantiu que a autarquia "tem capacidade financeira, felizmente, para acudir à fase 1", com custos agora na ordem dos 13,3 milhões de euros.
Aquele valor diz respeito a trabalhos de limpeza e recuperação, com a Câmara a esperar que possa ser coberta por seguros e medidas de apoio.
Combustível, geradores, remoção de lixo no espaço público, reparação e mobiliário para escolas, material de comunicação, casas prefabricadas ou equipamentos estão incluídos naquele montante.
Já para as fases 2 e 3, admitiu que a Câmara pode "contrair empréstimos", mas a capital de distrito precisa de ajuda para se reerguer.
"No dia 28 de janeiro, fomos eleitos obrigatoriamente para uma nova Câmara e para um novo programa eleitoral", declarou, observando que "muita parte" do programa "já não faz sentido".
Sustentando que o concelho vai ter de recuperar em tempo recorde o que perdeu, para voltar a estar na linha da frente, Gonçalo Lopes afiançou: "Não vamos levantar o pé enquanto não conseguirmos voltar a pôr Leiria no sítio que merece".
Questionado sobre que garantias de apoio lhe foram dadas por governantes que passaram pelo território, o autarca respondeu que "há sempre riscos associados ao financiamento de toda esta ambição".
Por outro lado, considerou que Portugal "não é um país rico, é um país pobre" e, dentro da pobreza, "há muita coisa que se gasta onde não se deve gastar", pelo que defendeu que esta "seja uma oportunidade para se ser racional na gestão da escassez".
Para o presidente do município, deve aproveitar-se nomeadamente os fundos comunitários que não se conseguem executar, para o processo de reconstrução, classificando esta como "uma boa medida que o Governo quer implementar".
Gonçalo Lopes avisou ainda que "ninguém vai conseguir reerguer esta região e este país se não tiver ajuda da Europa", preconizando a necessidade de haver uma "linha de comunicação com a Comissão Europeia, não por causa dos défices excessivos, mas para conseguir arranjar o envelope [financeiro] necessário".
"Tem de haver um trabalho de financiamento europeu, tem de haver um trabalho de reafetação de verbas nacionais a este desígnio", acrescentou.
Dezoito pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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