Polícia Marítima trava banhistas por causa dos guarda-sóis em frente a espaço concessionado

Afinal, nem todas as praias permitem chapéus de sol em frente aos concessionários, ao contrário da ideia transmitida pelo presidente da Associação Portuguesa do Ambiente.

29 de junho de 2026 às 01:30
Polícia Marítima em ação na praia Verde. Quem tinha guarda-sóis em frente aos concessionários teve de os retirar Foto: Direitos Reservados
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A Polícia Marítima foi este domingo chamada à praia Verde, no Algarve, por causa dos guarda-sóis em frente a um espaço concessionado. Nas fotografias enviadas ao CM, é possível ver dois agentes a explicar a algumas famílias que ali se encontravam que tinham de baixar o guarda-sol. Podia estar aberto, mas inclinado, a tocar na areia. Na prática, a deixar entrar o sol. Os banhistas acataram a ordem “para não arranjar problemas”, afirmaram ao CM.

Na praia de Altura, no mesmo município, Castro Marim, ocorreu uma situação idêntica. Neste caso, terão sido os nadadores-salvadores a impedir a colocação dos guarda-sóis. Veio, depois, a Polícia Marítima dizer que sim, a situação era ilegal. Outras autarquias algarvias, como a de Vila Real de Santo António, entenderam agir da mesma forma, impedindo os guarda-sóis em fren- te aos concessionários. Se alguém resiste, vem a Polícia Marítima. Esta proibição surge ao arrepio das orientações dadas pelo presidente da Associação Portuguesa do Ambiente, que classificou de “abuso” a imposição de não colocar guarda-sóis em frente às concessões. “A única área que está onerada e que está concessionada é aquela que está delimitada por aquele retângulo e nada mais, isto que fique claro, tudo o resto é de uso livre”, afirmou José Pimenta Machado, em maio. E concretizou: “É só aquela área, e mais: nunca deve ultrapassar 30% da área útil da praia e nunca deve ultrapassar 50% da frente, no fundo, é frente de mar.”

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Alguns dias depois, a presidente da Federação Portuguesa de Concessionários de Praia (FPCP) argumentou que a atual legislação não é clara e exigiu esclarecimentos: “Se um concessionário é obrigado a comprar duas placas para delimitar as zonas dos chapéus de sol, sou obrigada a dizer que não. O banhista pode estar à frente, mas sem o chapéu de sol. Por que motivo até à data não temos nenhuma reação da Autoridade Marítima Nacional? Isto não pode ser um bicho de sete cabeças. O banhista não pode sair de casa a pensar que legislação é que tem de ler”, alertava Paula Vilafanha, presidente da FPCP, em declarações à SIC.

A APA nada mais esclareceu e, já este mês, o presidente daquele organismo remeteu-se ao silêncio, dando por encerrado o assunto. “Sobre isso não falo. Já dissemos o que tínhamos a dizer. Desejo é boa época balnear, e vai ser, com certeza”, disse. Mas as dúvidas continuam.

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