Polimedicação em quase metade dos doentes com epilepsia

Há mais de 100 mil epiléticos em Portugal. Toma de vários medicamentos acarreta riscos.

09 de fevereiro de 2026 às 01:30
Quase metade dos epilépticos precisa de 3 ou mais medicamentos para controlar a doença Foto: D.R.
Raquel Samões, neurologista e dirigente da Liga Portuguesa Contra a Epilepsia

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Quase metade (43,9%) dos doentes com epilepsia em Portugal precisa de 3 ou mais medicamentos para controlar a doença. O estudo nacional EpiPort aponta para uma prevalência de 9,76 casos de epilepsia por mil habitantes, ou seja, há pouco mais de 100 mil epiléticos no país. A polimedicação acarreta riscos, que podem ser minimizados com disciplina.

"A falha de tomas aumenta o risco de ocorrência de crises epiléticas. Alguns medicamentos têm interações entre si, diminuindo o efeito terapêutico ou aumentando os efeitos secundários, como sonolência, tonturas, desequilíbrio, visão turva ou alterações cognitivas", explica ao CM Raquel Samões, neurologista do Centro Hospitalar Universitário de Santo António (Porto) e presidente da Delegação Norte da Liga Portuguesa Contra a Epilepsia.

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A propósito do Dia Internacional da Epilepsia, que se assinala a 9 de fevereiro, a especialista explica que cerca de metade dos doentes são controlados apenas com um medicamento, sendo que da outra metade, só 12% ficam sem crises com um segundo medicamento. A partir do terceiro medicamento, "as probabilidades de sucesso são ainda menores". "Cerca de um terço das pessoas com epilepsia têm epilepsia refratária. Vivem crises mesmo depois de tentados dois medicamentos diferentes. Como existem fármacos com mecanismos de ação diferentes, quando não se atinge um controlo total das crises, é comum associarem-se dois ou mais medicamentos, na tentativa de melhorar o controlo", explica Raquel Samões.

O controlo da doença também passa pela adoção de medidas por parte do epilético, como ter horários regulares de sono, evitar o consumo de álcool e drogas e manter um estilo de vida saudável. No caso de uma crise, "o mais importante é manter a calma, chamar ajuda e manter a pessoa em segurança".

"Enquanto a crise está a decorrer, não devem restringir-se os seus movimentos, mas sim amparar e afastar obstáculos para que a pessoa não se magoe. Não deve colocar-se nada na boca da pessoa que está a ter a crise, uma vez que há risco de sufoco. A pessoa deve ser colocada em posição lateral de segurança, uma vez que assim respira melhor e corre menos risco de se engasgar ou aspirar eventual sangue, saliva ou vómito. Alguns doentes com epilepsia têm medicação SOS, que pode ser administrada no caso de crises que durem mais de 3 ou 5 minutos, mas implicam que quem assiste à crise conheça as orientações do médico assistente e saiba administrar", explica a neurologista, que recomenda ligar 112 "se houver dúvidas de como proceder e, se se tratar de uma primeira crise, se a crise durar mais de 5 minutos, se ocorrerem várias crises seguidas, se a pessoa não voltar ao seu estado habitual ou se tiver sofrido um traumatismo com a crise". 

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