Populações de espécies migratórias em maior risco. 24% podem desaparecer

ONU nota que a sobrevivência dessas espécies depende de ações coordenadas ao longo de toda a extensão das rotas migratórias.

06 de março de 2026 às 18:46
Entre as mais antigas espécies, agora condenadas à extinção, estão diversos anfíbios Foto: Direitos Reservados
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O declínio das populações de espécies migratórias de animais protegidos por tratados da ONU agravou-se de 44 para 49% em dois anos, indica um relatório das Nações Unidas, alertando que 24% das espécies enfrentam a extinção global.

O relatório sobre o estado das espécies migratórias foi publicado na quinta-feira e antecede uma reunião sobre a conservação da vida selvagem que se realiza no Brasil entre os dias 23 e 29, a chamada CMS COP15 (15.ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens, um tratado juridicamente vinculativo da ONU), um dos encontros globais mais importantes para a conservação da vida selvagem.

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Na reunião, segundo a ONU, deverão ser discutidas ações para enfrentar a crise global de biodiversidade.

Muitos milhões de animais selvagens aquáticos, terrestres e aves migram por terra, rios, oceanos e céus. São essenciais para o bom funcionamento da natureza e para o bem-estar humano, polinizando plantas, transportando nutrientes, regulando ecossistemas, controlando pragas, armazenando carbono e sustentando os meios de subsistência e as culturas em todo o mundo.

Num comunicado sobre o relatório, a ONU nota que a sobrevivência dessas espécies depende de ações coordenadas ao longo de toda a extensão das rotas migratórias, que podem atravessar múltiplas fronteiras nacionais e até mesmo continentes.

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Desenvolvido pelo Centro Mundial de Monitorização da Conservação do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP-WCMC) o relatório, provisório, faz um diagnóstico da situação e destaca tendências, como as alterações no estado de conservação das espécies, com base nos dados da lista vermelha das espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Pelo lado positivo salienta os avanços no mapeamento de rotas migratórias, para apoiar a tomada de decisão, progressos na identificação e proteção de habitats importantes e corredores migratórios, ou recuperação de algumas espécies, através de ações coordenadas.

Mas se sete espécies da lista apresentaram melhorias há outras 26, incluindo 18 aves costeiras migratórias, que passaram para categorias de maior risco de extinção.

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Foram também identificadas 9.372 áreas chave para a biodiversidade, sendo que quase metade desses territórios não faz parte de áreas protegidas e conservadas.

"Apesar de alguns sucessos importantes", os indicadores-chave , como a proporção geral de espécies com populações em declínio, "estão a caminhar na direção errada", avisam os autores do documento, que apontam a sobre-exploração e a perda e fragmentação de habitats como as duas maiores ameaças às espécies migratórias em todo o mundo

A secretária executiva da Convenção das Espécies Migratórias, Amy Fraenkel, diz citada no comunicado que ainda que algumas espécies estejam a responder a ações de conservação há muitas que continuam a enfrentar pressões crescentes nas suas rotas.

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Na lista das espécies em perigo de extinção global ou em parte significativa da área de distribuição estão 188 espécies, incluindo 28 mamíferos terrestres, 23 mamíferos aquáticos, 103 aves, oito répteis e 26 peixes.

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