Porto de Mós com "problemas pontuais" por fogo em material de energia
Uma família teve de ser realojada em Mira de Aire.
O presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós disse à agência Lusa que, só na noite desta quarta-feira, foi realojada uma família, arderam um gerador, um quadro elétrico e um posto de transformação e rebentou outro gerador.
"Estamos hoje a realojar uma família de Mira de Aire. É uma situação de maior vulnerabilidade, mas nós respondemos de imediato. Temos o serviço de ação social na rua que está a responder de imediato às necessidades", adiantou o presidente da Câmara de Mós, Jorge Vala.
O autarca disse que, até esta quarta-feira, "há ainda alguns lugares com falta de energia elétrica" apesar de o Município de Porto de Mós, no distrito de Leiria, ter colocado "alguns geradores em PT [postos de transformação] da E-Redes para abastecer determinadas zonas" do concelho.
"E depois temos alguns problemas pontuais como os que aconteceram na noite de hoje. Ardeu um quadro elétrico no Juncal e rebentou um gerador. Um dos PT que estava a ser energizado por um gerador, ardeu e um outro gerador, que estava a energizar outro PT, também ardeu", indicou
De acordo com o autarca, "são situações pontuais que acontecem, mas que afetam a reposição da energia" no território e "afeta a vida" das pessoas que estão há uma semana "a sofrer com a falta ou instabilidade" energética.
"Também nos voltaram a roubar gasóleo num [gerador] que estava numa zona desprotegida, e a população ficou sem energia", denunciou Jorge Vala.
Ao todo, disse, é "cerca de 10% da população" no concelho que está sem energia elétrica e, ainda assim, o autarca notou que, "tendo em conta os concelhos vizinhos, Porto de Mós nem é dos que está pior".
Esta quarta-feira, o município tem o serviço de abastecimento de água normalizado, "salvo casos e falhas pontuais devido à falta ou instabilidade energética, por causa das bombas de distribuição".
"As comunicações também já estão a ficar estabilizadas em todo" o concelho, indicou.
O presidente da Câmara lembrou que o concelho de Porto de Mós "foi bastante afetado" e da informação que tem recebido por parte dos munícipes, é que, neste momento, tem "mais de 200 pessoas com danos significativos nas suas habitações ou empresas".
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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