Portugal compra energia de carvão
País fechou centrais mas importa eletricidade feita do carvão.
Portugal deixou de produzir energia elétrica a partir da queima de carvão com o encerramento da central do Pego (Abrantes), em novembro, mas continua a importar eletricidade de países onde a mesma é produzida a partir do carvão.
O processo de descarbonização, acelerado e anunciado pelo Governo em 2021, levou ao encerramento das centrais de produção da EDP em Sines, em janeiro, e do Pego (da espanhola Endesa), em 30 de novembro. Mas estas empresas continuam a produzir energia elétrica a partir da queima do carvão em Espanha, que depois é consumida pelos portugueses. Apesar de as importações de energia a partir da queima de carvão serem baixas, no ano passado Portugal adquiriu mais de 9600 toneladas a Espanha, do total de 10 770 toneladas deste combustível fóssil que foram importadas. Ou seja, Portugal descarboniza na produção mas não no consumo.
Documentos
2022-01-10_02_26_12 energia em portugal.pdfO petróleo e derivados continua a ser a fonte de energia mais consumida em Portugal (mais de metade vem de Espanha), seguindo-se o gás natural (Nigéria e Estados Unidos da América são os principais fornecedores), biomassa (a partir de matéria orgânica), energia elétrica e carvão. No campo da produção de energia a partir de fontes renováveis, a hídrica é a que tem maior peso (42%), seguindo-se a eólica (39%), segundo os dados mais recentes publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia.
Encerramento afetou 650 trabalhadores
O encerramento das centrais termoelétricas do Pego e de Sines afetou 650 trabalhadores (500 no Alentejo e 150 no Ribatejo). Em Sines, muitos ainda não conseguiram um novo emprego, numa região com elevada taxa de desemprego e pouca oferta de trabalho. Outros foram colocados noutras centrais da EDP. No caso do Pego, os trabalhadores recebem uma compensação remuneratória, atribuída pelo Fundo Ambiental, em alternativa ao fundo de desemprego, mas são obrigados a frequentar ações de formação para o receber.
500 mil milhões para centrais nucleares
As centrais nucleares europeias de nova geração precisarão de um investimento de "500 mil milhões até 2050", estima o comissário europeu para o mercado interno, Thierry Breton. A Europa pretende atingir a neutralidade carbónica em 2050.
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