Prejuízos na indústria da Figueira da Foz devido à depressão Kristin podem chegar a dezenas de milhões de euros
Presidente da ACIFF destacou estragos consideráveis em duas indústrias de pasta de papel e numa unidade de transformação de resina.
A Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIFF) ainda não tem um valor efetivo dos estragos nas grandes indústrias do concelho, mas antevê prejuízos de algumas dezenas de milhões de euros.
"A tempestade Kristin terá provocado danos no tecido empresarial da Figueira de Foz de algumas dezenas de milhões de euros", disse a presidente da associação à agência Lusa, salientando que esta depressão provou mais estragos que a Leslie, em 2018, e atingiu todos os ramos de atividade.
Nas grandes indústrias, situadas na zona sul do concelho, a mais afetada, foram reportados danos significativos.
A presidente da ACIFF, Vitória Abreu, destacou ainda estragos muito consideráveis em duas grandes indústrias de produção de pasta de papel e numa unidade de transformação de resina.
Nas grandes indústrias, "o impacto acumulado (direto e indireto) "poderá atingir vários milhões de euros, considerando a paragem de linhas de produção e danos estruturais".
Num levantamento efetuado, a ACIFF contabilizou ainda prejuízos diretos em 55 micro e pequenas empresas do concelho, superiores a 1,5 milhão de euros.
A associação reconhece que o Governo apresentou um pacote de apoios "estruturado", destacando as linhas de crédito, o 'lay-off', as isenções à Segurança Social e a simplificação de licenciamentos, mas alertou "que a celeridade na aplicação é o fator crítico para a sobrevivência das empresas".
"Os efeitos da tempestade ultrapassam a destruição física. A interrupção de energia e comunicações, a deterioração de 'stocks' e as penalizações contratuais criaram uma asfixia económica que exige soluções práticas e desburocratizadas agora", sublinhou.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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