Privação de sono aumenta risco de diabetes, depressão e cancro
A neurologista Teresa Paiva alertou este sábado, no Porto, para os efeitos da redução do sono ou do dormir em excesso, associando-os a um risco aumentado de hipertensão arterial, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, cancro, depressão e de acidentes.<br/><br/>
"O que as pessoas têm de perceber é que para além destes efeitos orgânicos sobre a saúde, reduzir o sono tem outros efeitos muito mais complicados ao nível da cognição. As pessoas começam a pensar mal, a ter graves problemas de memória, a ter lapsos e, fundamentalmente, perdem os seus equilíbrios emocionais", afirmou a especialista.
Segundo a investigadora, os portugueses são os que se deitam mais tarde no Mundo. "Setenta por cento da população vai para a cama depois da meia-noite, mas o grave não é deitarem-se tarde, é deitarem-se tarde e levantarem-se cedo", considerou.
As perturbações do sono situam-se entre as perturbações cerebrais mais dispendiosas na Europa. Em 2010, foram gastos 35,4 mil milhões de euros, ocupando a 9.ª posição num grupo de 19 perturbações.
A neurologista defende que a sociedade e os serviços de saúde são obrigados a prestar atenção aos números actuais.
"No caso de não ser desencadeada qualquer acção, as atuais influências entre sociedade, sono e sonhos podem resultar num cenário dramático: os indivíduos esforçados e lutadores podem tornar-se depressivos, esquecidos e doentes e transformar-se em cidadãos incapazes de agir e cooperar de modo eficiente com a sociedade actual, altamente exigente", sustentou.
Teresa Paiva tem-se manifestado contra o excessivo consumo de medicamentos para dormir. "Há estudos que provam que quem toma regularmente hipnóticos sofre um aumento do risco de morte precoce e de cancro", afirmou.
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