Professores classificadores ainda não receberam exame de Português
Atraso foi denunciado esta quarta-feira pela Fenprof, que sublinha o "momento particularmente exigente para o sistema educativo, com milhares de provas que têm de ser digitalizadas, distribuídas e classificadas dentro de prazos apertados".
O período de classificação do exame nacional de Português arrancou na terça-feira, mas há professores que ainda não receberam as credenciais de acesso às provas, segundo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof).
As provas de Português do 12.º ano começaram a ser corrigidas na terça-feira, uma semana depois de os alunos irem a exame, mas as credenciais necessárias para fazer esse trabalho não chegaram a todos os professores corretores.
O atraso foi denunciado esta quarta-feira pela Fenprof, que sublinha o "momento particularmente exigente para o sistema educativo, com milhares de provas que têm de ser digitalizadas, distribuídas e classificadas dentro de prazos apertados".
Os exames nacionais continuam a realizar-se em papel, mas, pela primeira vez, as provas serão corrigidas em formato digital, trabalho que deverá estar concluído até 05 de julho.
"Num contexto tão sensível, seria exigível que a organização e a classificação das provas decorressem com total normalidade, transparência e eficácia", sublinha a Fenprof, que considera inaceitáveis "processos administrativos deficientes, falhas tecnológicas ou decisões de reorganização mal preparadas" num sistema que "influencia decisivamente o futuro de milhares de alunos".
A Lusa questionou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) sobe os motivos para o atraso e a possibilidade de alargar o período de classificação, sem resposta até ao momento.
Dois dias após a realização do exame, o MECI reconheceu uma "falha objetiva" da equipa que desenhou o enunciado, que tinha um item de desenvolvimento praticamente igual ao publicado num caderno de exercícios de apoio da editora Leya.
Apesar da falha, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) concluiu que a pergunta em causa não violava o princípio da equidade ou beneficiado os alunos que já a tinham treinado.
O Ministério da Educação reconheceu esta quarta-feira uma "falha objetiva" da equipa que realizou o exame nacional do secundário de Português, tendo pedido ao EduQA que analise se ficou em causa a equidade entre alunos.
Além do parecer pedido ao EduQA, o ministro Fernando Alexandre pediu também à Inspeção Geral da Educação e Ciência (IGEC) uma auditoria aos procedimentos internos do instituto.
A prova de Português marcou o arranque da 1.º fase dos exames nacionais do ensino secundário, para o qual se inscreveram este ano mais de 166 mil alunos.
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