Projeto-piloto testa alargamento de programa "Mais Contigo" ao ensino superior
Programa de promoção da saúde mental e prevenção de comportamentos suicidários tem sido levado apenas ao ensino básico e secundário.
Um projeto-piloto vai testar o alargamento, a estudantes do ensino superior, do programa de promoção da saúde mental e prevenção de comportamentos suicidários em meio escolar denominado "Mais Contigo".
Até agora, a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) tem levado este programa exclusivamente até aos adolescentes, nomeadamente alunos do terceiro ciclo do ensino básico e do ensino secundário.
As oficinas "Mais Contigo Universidades" arrancam na próxima quarta-feira, destinadas a docentes do ensino superior, com o objetivo de os capacitar para a prática do acolhimento estudantil e lhes dar "competências de escuta ativa, empatia e identificação de sofrimento psíquico".
Desta forma, pretende-se criar "um ambiente universitário saudável, inclusivo e acolhedor", justificou a ESEUC.
O projeto será conduzido por duas professoras da Universidade Federal de Uberlândia (Estado de Minas Gerais, no Brasil), que são especialistas em Ciências da Saúde e em Saúde Mental e se encontram a fazer pós-doutoramento na ESEUC.
As professoras Fabiola Gomes e Karine Zago são da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia, onde já adaptaram todas as etapas do programa português aos jovens adultos que frequentam o ensino superior.
Segundo Fabiola Gomes e Karine Zago, "a saúde mental dos estudantes universitários apresenta elevados índices de adoecimento, sobretudo de depressão e ansiedade".
"Cuidar da saúde mental desta população é essencial para promover o seu bem-estar, a permanência na universidade e o sentimento de pertença", defenderam.
O perfil do estudante universitário e os fatores associados à sua saúde mental, questões como sentimento de pertença e relações interpessoais, técnicas de acolhimento e de escuta ativa, estratégias para lidar com o abandono, a retenção, a ansiedade e a depressão, a autolesão não suicidária e o risco de suicídio serão temas a tratar ao longo da formação para docentes do ensino superior.
O coordenador nacional do "Mais Contigo", José Carlos Santos, explicou que, depois de testado o protótipo desenvolvido na Uberlândia, serão avaliados "os resultados, as implicações e o que advém desta experiência em prol da saúde mental".
Posteriormente, será decidida a "eventual implementação de um subprograma 'Mais Contigo Universidades', em coordenação com a Unidade Diferenciada de Desenvolvimento Humano Integral e Ambientes Salutogénicos da ESEUC", dirigida por António Nabais.
De acordo com o especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, que coordena a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico -- 1411, "mais de 50%" das pessoas que fazem chamadas telefónicas estão na faixa etária entre os 18 e 34 anos, mas não é possível especificar quem é estudante ou trabalhador.
Este será "mais um instrumento para trabalhar um grupo que tem revelado, nos últimos tempos, mais procura de ajuda e mais sofrimento mental", frisou.
Em funcionamento há 18 anos, o "Mais Contigo" foi criado pela ESEUC e pela então Administração Regional de Saúde do Centro, inicialmente com uma ambição local, mas depois atingiu uma abrangência nacional, contando atualmente com vários parceiros pelo país.
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